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Francisco Moita Flores

Polícias dementes

Polícias doentes em tão grande escala só existem porque a política está demente.

Francisco Moita Flores 15 de Maio de 2016 às 00:30
As notícias que dão conta do estado de saúde geral dos polícias portugueses deveriam ser motivo de preocupação séria. A confirmarem-se os números avançados pela imprensa, significam que, em cada três agentes da autoridade, um está doente, sendo os distúrbios psicológicos as patologias dominantes.

Como se chega a este estado? Por abandono. Por desprezo profissional sobre um grupo fundamental para manter a paz pública, reforçar a segurança, ser um dos pilares da soberania do País. Ao longo dos anos, sobretudo nos últimos anos, as diversas polícias ganharam um protagonismo inquestionável. Não só pelos casos que investigaram e entregaram aos tribunais, também pelo controlo e prevenção da violência, sustendo grandes movimentos criminais que não se manifestam em Portugal com a força que atingem a Europa. E tudo isto não é resultado de políticas preventivas. São produto de esforço até ao limite dos profissionais. Até à exaustão. Até ao esgotamento. Ainda por cima, economicamente desvalorizados, mal pagos, sem outro conforto que não seja a coragem para vencer o sono, os problemas familiares e a fadiga.

Fizessem parte de organismos corporativos, como outras classes profissionais, e haveria uma gritaria medonha por esses jornais e televisões. Porém, as polícias celebram o culto da hierarquia, da disciplina, do serviço público antes de qualquer outra manifestação de interesse. E é o que se vê. Abandonados pela política, com sucessivos governos indiferentes aos seus destinos e problemas, aí estão enfraquecidos, doentes, preparados para morrer por nós. Ou a matarem-se quando a dor se torna insuportável. A segurança de todos nós merece mais. Merece, antes de tudo, um grande respeito por quem a serve.

Na verdade, o problema maior é de quem não percebe que sem polícia não há política e polícias doentes em tão larga escala só existem porque a política está demente.
Portugal política polícias doença questões sociais
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