Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
1
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco Moita Flores

Prestar contas

Que história da carochinha nos irá contar para explicar 160 milha de área ardida.

Francisco Moita Flores 20 de Agosto de 2017 às 00:31
Não falta muito para que termine a época dos incêndios. Pouco mais de três semanas e passará o pesadelo que trouxe luto e pranto, destruição e morte ao País. Como irá o governo prestar contas desta calamidade?

Que história da carochinha nos irá contar para explicar cento e sessenta mil hectares de área ardida (para já), um estendal de mortos impressionante, regiões inteiras submetidas à ruína e ao desespero?

Como vai explicar que, nesta altura, já ninguém saiba onde pára a ministra da Administração Interna, e nas declarações oficiais, surja Marcelo a fazer de primeiro-ministro e este a fazer de comandante de bombeiros?

Não andará longe do ensaio hipócrita que já vimos ensaiar na Madeira a propósito da queda da árvore assassina.

O bispo fugiu a galope às responsabilidades declarando solenemente que aquele espaço público não pertencia à Igreja, embora os documentos digam o contrário.

Os vários poderes locais invocaram o luto. Vamos respeitar o luto e depois logo se trata de averiguar quem é responsável. Como se uma coisa tivesse a ver com a outra.

É verdade que sabemos que o sistema de comunicações SIRESP não funciona.. Sabemos que a Autoridade de Proteção Civil, depois da exposição pública da sua incompetência em Pedrógão Grande, escondeu os seus comandantes, pondo uma porta voz a falar com jornalistas.

Sabemos que a GNR, para quem se apontaram as primeiras culpas, afinal foi das poucas forças de segurança que se portou bem.

Sabemos que a maioria dos incêndios se descontrolou, pese o esforço brutal desenvolvido pelos bombeiros que os combatem.

Bom, se calhar foi Deus. Mandou calor e vento em excesso. Então, é melhor deixar de pagar impostos a este Estado decrépito, e regressar de vez à Idade Média.

Ao menos a fé apazigua as angústias e não é tão caro.
Francisco Moita Flores opinião
Ver comentários