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Francisco Moita Flores

Somos tansos!

O Novo Banco foi vendido por quanto? Pelos cinco mil milhões? Não. A custo zero.

Francisco Moita Flores 2 de Abril de 2017 às 00:31
Vou resumir o que aprendi com a história do BES. Em 2014, a instituição de Ricardo Salgado estoirou. Foi dividida em Banco Mau e Banco Bom, o pai do Novo Banco. Nessa altura, foi explicado pelos sábios do regime, acolitados pelos comentadores da especialidade, que se encontrara uma grande solução. Para que o Banco Bom fosse vendido com grande estrondo e sucesso, foi criado um Fundo de Resolução onde todos os bancos meteriam dinheiro até perto de cinco mil milhões de euros.

Foi para timoneiro do Novo Banco um Conselheiro de Estado. O objectivo era vender  por forma a recuperar os tais quase cinco mil milhões. Eram favas contadas. Aquela cabeça fervilhava de competência e amor à Pátria. Seria dano reparado num abrir e fechar de olhos. Três meses depois, a claque de apoio gelou. O sábio dos sábios bateu com a porta. As excelências sapientíssimas que mandam nestas coisas foram a Londres e trouxeram o banqueiro dos banqueiros, o legítimo, o certo, este sim, o sapientíssimo entre os sábios.

O Banco Novo estava antecipadamente vendido, tal era o talento do homem, e os cinco mil milhões devolvidos aos outros bancos e ao povo. Dois anos depois, regressava a Londres, rabo entre as pernas, sem um sinal de compradores decentes.

Estavam esgotados os sábios. Em desespero, foram buscar um dos merceeiros do regime. Não era sábio mas tinha um olho para o negócio que, agora, era de vez. E já está! O primeiro-ministro e o ministro das Finanças anunciaram a boa nova ao País. O Novo Banco foi vendido. Uma vitória extraordinária. Até Bruxelas aplaudiu.

E nós, de tão felizes com mais este sucesso da geringonça, aplaudimos emocionados. Foi vendido por quanto? Pelos tais cinco mil milhões? Não. A custo zero. Vão entrar mil milhões mas é para financiar o próprio banco. Ainda vibram aplausos, mas já sabemos quem paga. Somos mesmo uns tansos!
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