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Francisco Moita Flores

Um país doente

Este punhado de notícias espera o cientista social que as relacione.

Francisco Moita Flores 19 de Junho de 2016 às 00:30
Esta mãe que se tentou suicidar, matando o filho de seis anos por afogamento, é uma notícia que, aparentemente, vive sozinha. Não existe razão para a associar a outras notícias recentes de outras mães que procuraram a morte, matando os filhos. Não tem nada que ver com as notícias brutais sobre um bando de Braga que sequestrou e matou brutalmente um empresário. Não tem ligação aparente com o crescimento da violência excessiva que tem vindo a acentuar-se na prática de vários homicídios e assaltos à mão armada.

Diz a mesma notícia que esta mãe estava a ser medicada devido a depressão. Claro que é apenas mais uma pessoa das muitas que fizeram disparar nos últimos anos o consumo de ansiolíticos, de antidepressivos, de indutores do sono. E é apenas um suicídio tentado que não entra nas estatísticas dos suicídios que não param de subir ao longo da última década.

Diz, ainda, o Instituto Nacional de Estatística, que são mais os portugueses que morrem do que os outros que nascem e que o País envelhece com poucos sinais de reversão. São cada vez mais os idosos e cada vez menos os jovens, pese o facto de haver um ligeiro crescimento de nascimentos.

É verdade que este punhado de notícias, que metem mortes violentas, comportamentos suicidas, disparo de medicamentos de saúde mental, envelhecimento, retração do mercado de trabalho, emigração, ausência de investimento, espera o cientista social que as relacione para medir o estado de saúde de um País em progressiva decadência social e anímica. Serão muitas as explicações políticas para interpretar ou, até, para esconder a interação entre todas estas evidências. Porém, julgo que são sintomas de uma doença geral mais profunda que poderá explicar a dificuldade de sair do estado de pobreza crescente em que temos mergulhado inexoravelmente na última década. E o caminho para reencontrar o futuro com esperança.
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