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Francisco Moita Flores

Verão Frio

A coligação apostou na retórica vazia, sem sentido, desprezando aquilo que fez.

Francisco Moita Flores 23 de Agosto de 2015 às 00:30
Longe vão os tempos em que as campanhas eleitorais causavam frenesim e uma intensa paixão no combate de ideias. O verão era quente e era a esperança que o aquecia. Agora, caímos até ao charco da chafurdice onde a propaganda, dos boys e dos arregimentados de serviço, faz o espetáculo medíocre que os dirigentes usam como pistoleiros de uma feira de tiros de fantasia.

É um circo de vacuidades e de mentiras a eito. De manipulação e promessas grosseiras apostadas em ludibriar aqueles que estão mais à mão.

A coligação apostou na retórica vazia, nula, sem sentido, desprezando aquilo que fez, desvalorizando o trabalho, cantando loas aos seus próprios umbigos.

Ignora a crueldade com que tratou milhares de reformados, os tais que Portas prometia levar no coração, humilhou professores, destratou funcionários públicos, mobilizando falsas promessas de que agora é diferente, ignorou polícias, fazendo da realidade do País uma monumental mentira, como se agora viesse aí o mar de rosas.

A falta de vergonha deveria ter um limite legal.

Por outro lado, o PS nem precisa de ser criticado. É, ele próprio, que se enxovalha com promessas feitas e desfeitas, roendo-se por dentro em verdadeiras batalhas pessoais, sem rumo, sem esperança, maculado pelo indisfarçável mal-estar gerado pelo golpe contra António José Seguro.

Vamos ver onde fica o ‘soube-me a poucochinho’ de Costa com que liquidou o seu camarada após as eleições europeias.

Sobram aos dois principais contendores motivos para uma discussão séria sobre os desafios que o futuro nos guarda. Não é com as ameaças de Passos Coelho que se resolvem, proclamando o apocalipse se o PS ganhar. E não é com as tiradas de Costa, que desdiz no dia seguinte, que se acrescenta alguma coisa ao desafio coletivo que temos de enfrentar.

Não há pior pobreza do que a barrela de frases feitas que não adiantam nem atrasam.

São o vazio absoluto, onde nem a morte tem lugar. E aquilo que nos fica é um brutal amargo de boca. Porque, no fim de contas, fomos nós todos que os produzimos e permitimos que nos continuem a insultar a inteligência como se não fôssemos um povo e merecêssemos ser tratados como um bando de indigentes.
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