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J. Rentes de Carvalho

Fossos que nos separam

O sermos um país pobre e periférico põe-nos a salvo da problemática da imigração massiva e dos refugiados, o que na Europa rica têm por consequência uma acentuada clivagem na sociedade, resultando num extremismo de sentimentos e opiniões de mau agouro.

J. Rentes de Carvalho 16 de Abril de 2017 às 00:30

Todavia, se as circunstâncias contribuem para que escapemos a tão grande problema, outros há criadores de fossos que a todos afectam. E esses são de tirar o sono a quem deles toma consciência, esteja o cidadão no início da sua carreira ou carregue nos ombros a responsabilidade pelo futuro dos filhos.

Para começar, espera-se que a curto prazo a digitalização ponha fim a várias profissões técnicas e administrativas, resultando daí que metade dos actuais estudantes do ensino secundário profissional não irá encontrar emprego. Essa ameaça estende-se igualmente a cursos universitários, como os de contabilidade, economia e semelhantes.

Rico ou pobre, nenhum país escapa ao fosso cada vez mais acentuado entre a província e a cidade, esta sendo sinónimo de juventude e dinamismo, enquanto aquela se distingue pela velhice dos habitantes, a falta de recursos, a tendência dos governos em considerá-la um refugo e, no melhor, bom local para instalar eólicas.

Maior do que nunca é a diferença entre as gerações. Uma das características de mudança nos anos 60 foi a do chamado fosso geracional, tendo a juventude passado a ser a norma, com os idosos a verem-se relegados para um terceiro plano, tanto económico como afectivo e, no geral, deixando de usufruir do respeito que até então lhes costumava ser devido.

É facto que o actual nível de vida não sofre comparação com o de há cinquenta ou sessenta anos atrás. Porém, em todos os países europeus se constata que os pobres se tornam cada vez mais pobres, ao passo que os ricos não param de enriquecer. Desde 1995, segundo as estatísticas, dois terços dos cidadãos europeus viram diminuir o seu poder de     compra.     Curiosamente,     enquanto     aumenta a oferta de emprego para os que têm um curso superior e, na prestação de serviços, para aqueles que ficaram pelo ensino básico, diminuem as possibilidades da classe média, que vê perigar a sua segurança e enfrenta uma maior concorrência, com o risco de descer ao nível da pobreza.

Um ponto positivo: factores como a classe social ou a família são cada vez menos determinantes, contando sobretudo o do nível dos estudos, situação particularmente favorável no caso das mulheres, que assim vêem aumentar as possibilidades de independência.

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