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J. Rentes de Carvalho

O berro dos nifes

Embora não o seja de todos, é conhecida a verdade de mesmo Deus, o Todo-Poderoso, ter lutado em vão contra a estupidez, e há também prova do seu insucesso na melhoria do sectarismo e da malícia dos que argumentam com deturpações, mentiras e entorses a razão que se atribuem.

J. Rentes de Carvalho 26 de Março de 2017 às 11:33

Tirante os mentalmente débeis, os mais talvez até o façam sem maldade, nem real interesse em contradizer ou contrapor, mas somente para que, pelos fugidios "três minutos de fama" ou de atenção, alguém oiça o seu berro, e assim confirme que não são apenas um NIF, mas cidadãos conscientes dos seus deveres e, sobretudo, da obrigação que sentem de em todas as circunstâncias e, como costumam dizer, a custo dos maiores sacrifícios, "defenderem os altos valores da democracia" e o sacrossanto bem da liberdade de expressão.

É   doloroso,   mas   também   divertido, constatar que nos seus acessos de paixão os NIFes, além de perderem a memória, se tornam vesgos, vêem preto onde está branco, espumam pelos beiços um ódio rançoso,   fazem   promessas   do   género "nunca   mais   vou   ler   uma   página   deste fdp",   o   que   não   atesta   uma   decisão,   mas lhes serve para ocultar a falta de princípios, de maneiras civis, e a deficiência do seu alfabetismo.

Recentemente, tenho sido incomodado por esse tipo de gente, e até por aqueles que, embora de boas intenções, mostram dificuldade em aceitar que haja quem não se sinta obrigado a um comportamento ortodoxo.

Para com os primeiros não tenho paciência nem me merecem respeito, tão- -pouco devo explicações seja a quem for, mas aos bem intencionados quero repetir o que noutro lugar afirmei: nada tenho a ver com quem me lê, não lhes devo coisa nenhuma, tão-pouco me interessa o seu favor ou desfavor, ou que suponham poder-me associar com quem lhes apeteça. Não pertenço, não me filio, não tiro proveito. Sou livre e ajo com liberdade, nenhum interesse material, político, económico,   social   ou   outro   tem   poder   para coartar a minha liberdade.

E quem não respeita a minha liberdade, pouca consideração tem pela sua própria.

De modo que se nas recentes eleições holandesas votei num candidato da extrema-direita, bem pode ser que nas próximas,   se   a   consciência   mo   ditar,   vote num do centro, da extrema-esquerda, no mesmo Wilders, ou no que me pareça corresponder melhor aos meus sentimentos.

Incomodam-se alguns com esta minha liberdade? Pelo que leio e oiço parece que sim, mas a meu entender isso apenas dá prova   de   que   todas   as   liberdades   são iguais, mas, infelizmente, umas são mais livres do que outras.

antiga ortografia  

Rentes de Carvalho Tempo contado
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