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Joana Amaral Dias

Quarto Escuro

Em 2049, na nova distopia de ‘Blade Runner’, acontece o mesmo de sempre: o herói é um homem cuja fantasia familiar-erótica é chegar a casa e ter uma mulher que se liga e desliga com um simples clique.

Joana Amaral Dias 22 de Outubro de 2017 às 00:30
Eu vi o futuro. Eu vi o futuro e é totalmente machista. Em 2049, na nova distopia de ‘Blade Runner’, acontece o mesmo de sempre: o herói é um homem cuja fantasia familiar-erótica é chegar a casa e ter uma mulher que se liga e desliga com um simples clique. Mais ainda: mal ele escolhe ‘on’, ela aparece tipo ‘pin-up’ anos 50 (melhor época do século XX para representar a coutada do macho branco era difícil). E no modo "querido, o jantar está pronto", serve-lhe não apenas a comida, como subservientemente lhe dá a escolher entre diferentes tipos de projeção erótica (encarnando várias personagens-arquétipo sexualizadas). Depois, claro, há o ménage à trois do grande salvador com a loira e a morena. Mais cliché era impossível e estas são as piores cenas do filme de Villeneuve. No final, há um prémio de consolação, insinuando-se que o futuro do futuro há-de ser também feminino, mas só fica um amargo de boca. Até porque este sexismo parece agradar bem às visionárias elites. Pelo menos, às humanas.

Título:’blade runner 2049’
De: denis villeneuve
Com: ryan Gosling, Harrison Ford e Ana de Armas
Exibição: nos cinemas
Villeneuve Ana Blade Runner
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