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Joana Amaral Dias

E agora, Angola?

Mas a vida só ficou boa “para quem tem parentes na cozinha”.

Joana Amaral Dias 25 de Agosto de 2017 às 00:30
Angola é um enorme e majestático elefante ferido. Angola é uma tragédia grega, o gigante belo que tinha tudo para vencer mas que cambaleia, vulnerável e faminto.

O que custa mais em Angola, o que dói mesmo a valer, é que os 20 milhões de angolanos tinham tudo para ser felizes, os mais felizes de todos.

Petróleo, diamantes, gás, terra fértil. Jovens, muitos jovens, as cachoeiras, as grutas, o Mussulo e as florestas. A ginga e a dança.

Aliás, depois de 40 anos de guerra, Angola tornou-se numa estrela mundial do crescimento económico (assente nas receitas do petróleo). Só que a nação continuou a ser miserável relativamente às condições de saúde e educação que oferece à população.

Já em 2017 foi descoberto em Angola um dos maiores diamantes alguma vez encontrado, enquanto a esperança média de vida continua a ser a das mais baixas do mundo. Angola é drama, é choro.

Depois desse quase meio século de luta, havia dinheiro a rodes para reconstruir o país do Soyo a Namibe, de Luena a Benguela. Reconstruí-lo todo, novinho em folha. Mas a vida só ficou boa para quem "tem parentes na cozinha", como dizem os angolanos.

Angola com o seu imobiliário mais caro do mundo, os condomínios junto à baía de Luanda, paredes meias com os musseques sem água ou eletricidade. Angola, o país com a maior taxa de mortalidade infantil do mundo.Vai continuar a ser possível?
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