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Joana Amaral Dias

Muamba

Os cadernos eleitorais são opacos e não há observadores.

Joana Amaral Dias 22 de Agosto de 2017 às 00:30
A primeira e maior questão que se coloca sobre as eleições em Angola é se serão justas e livres. E a reposta, olhando para os dados já lançados é: Não. Absolutamente Não.

Os cadernos eleitorais são opacos, não há observação internacional e não há presença dos partidos da oposição nas estruturas da direção do processo. Há eleitores em Luanda a receber indicação de que deverão votar a mais de mil quilómetros (facto estranho que a Comissão Nacional de Eleições não justifica) e outros desconhecem em que locais o devem fazer.

Há umas semanas, a dita Comissão lançou um cartaz a apelar ao voto no MPLA. Sim, leu bem. A apelar ao voto. Desde que José Eduardo dos Santos chegou ao poder que as eleições em Angola são uma fraude. E estas também serão.

Mas atenção: embora Angola seja uma potência económica e militar na África Austral, a comunicação social não parece preocupada.

Nem sequer a portuguesa, mesmo que tenhamos relações históricas com a terra de Muxima, sendo esta imprescindível para a lusofonia e para as nossas trocas comerciais. É evidente que este desinteresse está relacionado com a dita muamba ou contrabando.

Seria bom que todos - cidadãos, políticos e jornalistas - estivessem conscientes de que, em 38 anos, é a primeira vez que a presidência vai mudar de mãos, mantendo-se ou não o MPLA no poder.

E, a partir daqui, nada mais será como dantes. Lembrem-se.
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