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Joana Amaral Dias

Ter voz

Para quê tentar contrariar uma cachoeira, um turbilhão de vida?

Joana Amaral Dias 24 de Dezembro de 2017 às 00:30

‘Uma Mulher Fantástica’ abre operaticamente com as cataratas de Iguaçu. A sua beleza não perde para a sua intensidade, apesar desta não ser menor (algumas quedas de água têm quase 100 espetaculares metros de altura).

Já no final deste último filme de Sebastián Lelio, escutamos a atriz transgender (palavra recentemente proibida por Trump) a cantar. A ária é ‘Ombra Mai Fui’, originalmente composta para a versatilidade vocal de um castrato, e sente-se, de novo, essa força viva da natureza.

O princípio e o fim. Pelo meio, pergunta-se: Pode alguém ser quem não é? Pode alguém estancar Iguaçu? Que engenharia complexa seria necessária? E, sobretudo, para quê tentar contrariar uma cachoeira, um turbilhão de vida? Pois, é estúpido ou impossível, só que os familiares do namorado da transgender tentam barrar a cascata da vontade, do desejo, do amor.

Não porque lhe falte encanto mas sim porque a eles lhes resta e sobeja o medo. E medo é coisa que a personagem central não conhece.

Afinal, ela é mesmo (mesmo) uma mulher fantástica.

Título: ‘Uma Mulher Fantástica’

De: Sebastián Lelio

Com: Daniela Vega, Francisco Reyes, Luis Gnecco, Amparo Noguera, Nicolás Saavedra e Aline kuppenheim

Exibição: nos cinemas

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