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Joana Amaral Dias

Tirar tudo

Mas não se trata de dar. O dinheiro é nosso, vem dos nossos impostos.

Joana Amaral Dias 25 de Novembro de 2017 às 00:30
Dar tudo a todos ou a todos tudo - qualquer versão é válida porque muitos a usam, desde Marcelo ao CDS, passando pelo PSD e PS - é dos clichés mais idiotas da nossa vida pública. Sim, há o viver acima das possibilidades ou o fugir à zona de conforto e tal, mas este é particularmente estúpido porque a política é isso mesmo: conciliar interesses, procurar melhorar a vida de cada um, para todos e com tudo o que há, os diferentes recursos. Sim, deve ser a grande ambição e objectivo final desta arte: tudo para todos.

Mas não se trata de dar. O dinheiro é nosso, vem dos nossos impostos, está nos cofres públicos. Passos Coelho ou António Costa não são o Pai Natal que chegam magnanimamente a distribuir prendas. Além disso, há a justiça. E é aí que a estupidez fica chapada.

Entre os milhões e milhões perdoados ao BES e a quase uma dezena de bancos, a transfusão dos cofres públicos para as PPP, as isenções fiscais sempre para as grandes empresas, é evidente que a questão não é o saco vermelho de São Nicolau mas uma espécie de imenso saco azul que drena os nossos bolsos. E é evidente que foi, justamente, por não dar tudo a todos mas sempre e só tudo a alguns que andamos há muitos anos mais a tirar quase tudo a quase todos.
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