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Correio da Manhã

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João Aranha

A Golegã e a Feira do Cavalo

Passado, Presente e Futuro.

João Aranha 13 de Novembro de 2015 às 19:04

Lembro-me bem do passado quando, no final dos anos trinta, para lá caminhava acompanhando meu Pai. A nossa eguada carecia de renovação e ao tempo a Golegã era o lugar ideal para isso. Claro que dos registos das éguas ainda não se falava da "cavalo lusitano" e estas, para além de colaborarem nalguns trabalhos agrícolas, eram cobertas por um garanhão da Fonte Boa e os poldros que nasciam eram vendidos para a "remonta" do exercito e da GNR. Castanhas e àgua-pé, isso sim, já havia,  e petiscavamos numas tascas castiças, na companhia de amigos e colegas da lavoura, mas o "Arneiro", que então não passava de um terreno aberto, onde se mostravam  cavalos montados com maior ou menor classe, não oferecia então  quaisquer espectáculos hípicos ou desportivos e era partilhado pelos ciganos dedicados ao negocio de muares.

Era simples e divertido para os meus gostos de cavaleiro adolescente,. Tal como  aconteceu uns três anitos depois ,enquanto cadete na Escola Pratica de Cavalaria, em Torres Novas, e para lá galopávamos nas saídas de "exterior", com passagem pela "meia via" e por Riachos. E bem diferente do que hoje representa, com o Largo do Arneiro rodeado de "casetas" e "boxes dos criadores de maior notabilidade e fama a receber um turismo internacional de todo o mundo., Onde hoje, durante 15 dias, por ocasião do São Martinho ,"o cavalo lusitano" é rei ( e mundialmente apreciado e reconhecido) reinando não apenas em exposição, mas  também em provas de caracter hípico, enquanto   cavaleiros e amazonas, nacionais e estrangeiras, se deliciam,( e nos deliciam) num passeio de equitação de trabalho,(ou mesmo de escola ),que tanto agrada a quem assiste como a quem protagoniza.

Aos milhares de forasteiros ,aficionados do cavalo, gente da lavoura, ou meros curiosos que  ali acorrem nestes dias também se oferece a possibilidade de comprar arreios, vestuário e adereços de todas as ordens, com qualidade e  relacionados com a actividade equestre nos stands especificos que aproveitam da Feira para o seu comercio. No fundo uns dias de festa onde tradição e o negocio se juntam em partes iguais com repercussão na economia. Para durar? Não saberei responder até quando ,e como, num país onde gente urbana e ignorante do meio rural  está a tentar tomar conta deste. Havendo até um partido politico que petende banir toda a actividade hípica e aposta na "libertação" do cavalo para as "pastagens paradisíacas" do seu habitat natural. Numa luta que antevejo desigual , tendo em vista o "acolhimento" de uns quantos políticos de ocasião, e certos meios áudio visuais que se arriscam a confundir um cavalo lusitano com um "bichano" do bairro das Olaias. Mas isto sou eu a falar…

opinião João Aranha
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