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João Botelho

Molho de bróculos

As eleições disseram que mais de 60% dos portugueses estão fartos do cinto apertado

João Botelho 8 de Outubro de 2015 às 00:30
Saindo do nevoeiro, de roupão e chinelos, o antigo imperador da ilha do meio do Atlântico, que ele esburacou como um queijo, atirou para o ar uma frase da sua sabedoria antiga: "Os socialistas vão cozer a coligação em lume brando!" Alberto João Jardim, que, lá no fundo, gostaria de ser presidente da república dos cubanos, mas que infelizmente não recebeu nenhum sinal de apoio dos senadores do seu partido, esqueceu-se que os socialistas, que têm a faca na mão, nunca cortarão o queijo e o mais certo é que se fritem rapidamente a si próprios em alto lume.

Se as eleições de 4 de outubro disseram que mais de 60% dos portugueses estão fartos do cinto apertado, da miséria e das humilhações humanas que lhe impuseram em nome da ganância das instituições financeiras, das corporações anónimas e da NATO (!!!), são afinal os representantes dos outros 38% que, escondidos atrás da sigla PAF, tão ridícula quanto eficaz, são chamados a formar governo! E assim, como dizia o maior poeta português do século XX em 1914, "fizemos uma revolução para implantar uma cousa igual ao que já estava". Ele disse também, antes de morrer, "eu não sei o que o futuro trará", e eu hoje também não sei. Porque a CDU quer que o Bloco assuma parte do seu programa, e o Bloco quer que o PS faça o mesmo ao seu, e o PS quer que a direita seja de esquerda e o Presidente da República, que não gosta de comemorar a República, que todos se entendam, a bem da nação.

Se três notáveis e jovens mulheres representaram sinceramente, e muito bem, a coragem e a sabedoria e por isso foram premiadas, também erraram ao pensar que os socialistas (porque ainda se chamam assim?) são de esquerda, o que não é certo para metade deles. Cada acção tem uma paga, cada pecado tem um castigo.

Do lado da direita, um extraordinário actor, que exibe a sua classe, tratando por tu o antigo e futuro primeiro-ministro e recebe sempre dele o tratamento de doutor – "aqui a meu lado o doutor Paulo Portas...", "aqui a meu lado o Pedro..." –, conseguiu com a sua sagacidade ter muito mais deputados, e vai ter muito mais ministros do que teria se o seu partido andasse sozinho nesta coisa das eleições. Nas actuais circunstâncias voltariam todos a caber num táxi.

Ah, o meu pobre país transformado numa salgalhada de legumes!
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