José e o Freeport

João de Sousa

José e o Freeport

Sócrates disse-me que “a origem daquele inquérito podia ser encontrada” no gabinete do então PM, Pedro Santana Lopes.
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Por João de Sousa|00:30
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Um dia, estava José Sócrates preso há dois meses, e perguntou-me inocentemente, com aquela sua pose distraidamente aristocrática, se eu trabalhava na "esquadra de Setúbal". Expliquei-lhe que a Polícia Judiciária não tem esquadras, mas sim departamentos, confirmando que estava lá colocado. "Então investigou o Freeport?" Respondi-lhe que não, que não era a minha área. Divagando, hesitante, falou- -me então na "Inspetora Alice", "a mesma que o prendeu, não foi João?"; "coordenadora, José, inspetor sou eu", expliquei.

Decidiu então iniciar um longo discurso, onde referia que "a origem do inquérito podia ser encontrada" no gabinete do então primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes.

Tratou-se tudo, segundo um José convicto, de uma "manobra rasteira com o apoio da Polícia Judiciária", para inviabilizar a sua vitória nas eleições. O diretor nacional, os procuradores, os polícias, a "tal Alice", todos "juntos para me prejudicarem a mim e ao PS!". Já nesta altura, note-se, era o PS o alvo, e Sócrates o mártir.

A partir daí, não foi difícil ouvir o José a expor a sua "narrativa", difícil foi conseguir conter o riso, porque eu observei muito do que foi feito – e não feito – no chamado ‘caso Freeport’. Contive-me, aguardei, e quando o monólogo parou, para Sócrates recuperar o fôlego, avancei: "José, a única coisa que ouvi dizer nos corredores do departamento foi que o seu primo receberia quantias de dinheiro em quartos de hotel, referenciados pela investigação! Mas não sei se é verdade!"

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