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João de Sousa

O “esbirro Silva”

Inspetor tributário foi promovido a “Doutor”, na hierarquia socrática, ao solicitar uma investigação à violação do segredo de justiça.

João de Sousa 20 de Dezembro de 2015 às 00:42
Aqui em ‘Ébola’, o inspetor Tributário Paulo Silva – que investigou Sócrates com o procurador Rosário Teixeira – era tratado pelo José como o "esbirro Silva do Rosário Teixeira". Agora que solicitou uma "investigação à investigação" por causa da violação do segredo de Justiça, foi promovido na hierarquia socrática, conforme pudemos assistir num monólogo de dois dias na TVI, disfarçado de entrevista. Agora passou a ser o Dr. Paulo Silva.

De resto, confirma-se o quanto é inata, para Sócrates, a aversão ao contraditório, ao discurso razoável, à troca de argumentos. Mas, mais que tudo isto, o José é falso, desonesto intelectualmente e oportunista, traços que se evidenciaram no monólogo – sobretudo à vista de quem privou com o preso 44, dentro dos muros de ‘Ébola’, sem máscara.

É abracadabrante ver e ouvir Sócrates a afirmar, a um submisso José Alberto Carvalho, que não tomou nenhum procedimento quando soube das buscas; quando a mim – inspetor da PJ –, rangendo os dentes, garantia que faria o mesmo de novo, quer os polícias como eu achassem bem ou não. Ou seja: não tinha que facultar o acesso aos computadores, considerando correto terem subtraído pens e o computador da sua casa, objetos que facultou à investigação quando quis e não quando o solicitaram.

É desonesto intelectualmente o José ao dizer que a rejeição da pulseira eletrónica foi um momento muito difícil, quando em 6 de dezembro de 2014 me garantiu que não aceitaria a mesma, como fez Manuel Palos, porque ele era feito de uma "fibra diferente"; sendo que quando anunciou que não aceitaria a "anilha", arrogantemente, disse aqui dentro da prisão: "Quero ver agora como é que eles descalçam esta bota. Encostei-os à parede!" Tudo com um fim estratégico.

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Como obteve a melhor nota em Filosofia Política, segundo afirmou, o José tem obrigação de conhecer a passagem no livro de David Hume, ‘Tratado da Natureza Humana’: "Não é a razão que conquista o prémio, é a eloquência."

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O verdadeiro SÓCRATES também se revelou quando, cinicamente, garantiu na TVI – nesta fase do monólogo já tinha a máscara de comentador político, do ex-primeiro-ministro perseguido por razões políticas – que nunca diria nada que pudesse prejudicar o Partido Socialista.

‘Verniz’ e ‘teleponto’ mostram oportunismo e falsidade

Duas horas de direito de antena na TVI foram preciosas em observação para quem conhece o José por detrás das câmaras, sem o ‘verniz’ forçado para as ocasiões nem o ‘teleponto’. Ali, por oposição ao Sócrates que passou uns meses aqui por ‘Ébola’, foi visível todo o oportunismo e falsidade.
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