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Correio da Manhã

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27 de Setembro de 2015 às 00:30
Foi noticiado que Sócrates, conhecido entre nós como o José, aquando de uma das batalhas que venceu ao procurador Rosário Teixeira (vitória que o José atribuiu a si próprio) terá afirmado ao mesmo que tinha realizado um curso rápido de Direito enquanto preso em ‘Ébola’, encontrando-se mais bem informado, condição que lhe permitia perceber a dimensão da "canalhice" de que era alvo.

Recordo o mesmo José, no interior da minha cela, com os códigos abertos (penal e processo penal) e a pronunciar colericamente: "Desculpe, João! Não é assim. Eles não podem manter-me aqui mais tempo!" Eu respondia que os prazos eram iguais para todos os arguidos em prisão preventiva, que ele teria que aguardar como toda a gente. E o José, vermelho de raiva, com os braços projetados em espasmo colérico: "Mas eu não sou igual a toda a gente. Desculpe, João, com todo o respeito, não compare a sua situação com a minha. Eu sou um ex-1ºministro e muitas pessoas estão ligadas a mim!"

"Não vou estar aqui tanto tempo como você!", garantia-me o preso 44, com a segurança de quem sabia o que estava a dizer. E não é que o ‘Zé’ tinha razão! Com uma moldura penal mais grave do que a minha – fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais – eu ainda aqui estou, há ano e meio, e o José está em casa, com direito a polícia à porta e sem ‘anilha’, depois de ter amuado em relação à mesma, nas circunstâncias conhecidas.

Mas como o curso rápido de Direito muito aproveitou ao José, também chegou à conclusão, no interior da minha cela, olhando com seu "olhar direcionado" os códigos, que só pode ser acusado, e assim será segundo ele, pelo crime de tráfico de influências, uma situação que facilmente contornará porque aquilo que reconhece ter feito foi: "Política económica!"


As "coisas" sobre Carlos Alexandre 
O José confidenciou-me que "sabe coisas" do juiz Carlos Alexandre, e eu começo a acreditar que é verdade. O José sabe que não vai ser condenado, e eu, atendendo a tudo o que se tem passado, tenho que dar crédito ao ‘Zé’!

O poder de quem antecipa o futuro 
Um ex-recluso que está acima de todos nós
Porque o José está muito acima de todos nós, como fazia questão de afirmar e agora sou levado a concordar, não tem ‘anilha’. É um exemplo moral e ético a seguir, um farol de sabedoria que nos ilumina, mas mais do que tudo isto, porque: "O ‘Zé’ é que sabe! E isso é porreiro, pá!"

Quando Sócrates deseja e prevê, assim acontece
Sabem que eu acredito nele? O ‘Zé’ é que sabe, pois tudo tem sucedido como o mesmo previu e desejou. Assim foi, por exemplo, com a saída da prisão, com a recente decisão da Relação em dar-lhe acesso ao processo, ou com o voto de vencido de um juiz na Relação, em acórdão anterior.

Vozes do pátio
Regras próprias
No dia das eleições, à semelhança do que fez por aqui quando esteve preso, não respeitando as regras, amuando, gritando ao telefone com o advogado, lançando impropérios à televisão existente no espaço comum do bar, quando qualquer comentador, ‘não-socrático’, emitia a sua opinião, Sócrates decidiu que não tem de pedir a ninguém para poder votar, muito menos a Carlos Alexandre.

Sem algemas
"João, eu não ando algemado", assegurava-me o José nas nossas conversas – o que de resto confirmámos sempre que se deslocou a Lisboa, ao tribunal. "Nem vou a médicos algemado!", garantia. E, de facto, assim foi. Todos os reclusos são obrigados a fazer raio-x torácico mas o José não o fez – tivesse ele uma doença ou não – apenas porque não quis. E pronto: O ‘Zé’ é que sabe!
opinião joão de sousa josé sócrates
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