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João Pereira Coutinho

Licença para matar

Contrariedades da vida não geram uma licença para matar.

João Pereira Coutinho 3 de Fevereiro de 2017 às 00:30
Sou contra obstinações terapêuticas.

O leitor sabe: manter o corpo ligado a uma máquina quando o corpo, na verdade, já partiu há muito. E sou a favor de apagar a dor até não restar mais dor. Coisa diferente é falarmos de suicídio assistido ou eutanásia, dois conceitos que, esta semana, fizeram um nó em muitas cabeças.

Suicídio assistido significa fornecer a alguém os meios para que a pessoa se mate; eutanásia, pelo contrário, depende da acção, ou da omissão, de terceiros. Eu posso terminar com a vida de um doente através de um cocktail farmacológico qualquer (eutanásia activa); ou, então, suspender certos tratamentos e obter o mesmo fim (eutanásia passiva).

Legalizar o suicídio assistido e a eutanásia é autorizar o homicídio como prática médica ‘normal’. As contrariedades da vida – das mais severas às mais discutíveis, como a depressão – não geram nenhuma licença para matar.
questões sociais saúde medicina morte
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