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João Pereira Coutinho

Os piores dos piores

Há um país miserável que existe, persiste e mata.

João Pereira Coutinho 25 de Junho de 2022 às 00:30
Em 1933, numa aldeia do norte, uma mulher foi queimada viva porque, segundo os populares, tinha o diabo no corpo. O crime chocou o país e Bernardo Santareno, impressionado com a barbárie, escreveu a peça ‘O Crime da Aldeia Velha’. A intenção do escritor era denunciar o nosso atraso material e moral em plena ditadura.

Passou quase um século. Veio a democracia e a Europa. Mas quando lemos sobre o crime de Setúbal, estamos de volta a 1933. A mesma miséria. A mesma crendice. A mesma desumanidade.

E, já agora, a mesma ausência do Estado, que depois de ter ‘sinalizado’ a criança permitiu que o seu processo ficasse esquecido nas brumas. A grande diferença é que em 1933 havia um Santareno para contar.

Hoje, da literatura à política, só há um falso ‘cosmopolitismo’ que se constrói sobre um país que se renega. Pelo menos, até esse país nos lembrar que existe, persiste – e mata.
Bernardo Santareno política questões sociais autoridades locais
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