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João Pereira Coutinho

A banalidade do Mal

Existe nos seres humanos o puro prazer de praticar o Mal.

João Pereira Coutinho 16 de Maio de 2015 às 00:30
Já ninguém fala do Mal. Com o recuo da religião, o Mal passou a ser um problema médico – um sintoma de perturbações psíquicas graves. Ou então, na tradição racionalista, o Mal nasce da ignorância: se houvesse mais educação, jamais o ser humano humilharia o seu semelhante. Entendo estas tentativas desesperadas para explicar o inexplicável.

Nenhuma delas me convence: quando um rapaz é espancado por um grupo festivo de selvagens; ou quando um adolescente é assassinado porque o homicida de 17 anos alegadamente lhe invejava a roupa e os ténis, não vejo aqui doença ou ignorância. Muito menos essa difusa ‘crise de valores’ que sempre me pareceu uma espécie de sub-marxismo mal amanhado. O que vejo é o puro prazer de praticar o Mal: de degradar e até matar com a banalidade própria da crueldade.

Com a devida vénia a psicólogos, sociólogos e outras sumidades avulsas, os nossos media deviam ouvir um padre de vez em quando.
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