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Correio da Manhã

Colunistas
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4 de Janeiro de 2009 às 00:30

Esta semana, a ditadura castrista (que se tornou cinquentona) expulsou de Cuba os correspondentes da BBC, do ‘Chicago Tribune’ e da mexicana Televisa (para não mencionar os 20 jornalistas cubanos condenados a penas de até 28 anos de prisão). Numa cena memorável de ‘O Correspondente Estrangeiro’, de Hitchcock, o director de um poderoso diário de NY explica por que prefere um repórter no exterior a um correspondente: "Não quero correspondência, quero notícias." Muitos dos jornalistas que operam no estrangeiro são mais correspondentes do que repórteres, no sentido em que só requentam as últimas dos media locais.

Talvez por isso os canais lusos apostem mais ou nos enviados especiais (com missões circunscritas) ou numa combinação ecuménica: uma espécie sismógrafos e paus para toda a obra, que saltam para o epicentro das crises onde quer que estas brotem. É o caso de nómadas decanos como António Esteves Martins (RTP) ou Fernando de Sousa (SIC) e, mais recentemente, de Paulo Dentinho (RTP). Os EUA, pela sua dimensão política, amiúde acolheram correspondentes portugueses, como Mário Crespo e Luís Pires. Um correspondente pode – e deve – evoluir. Foi o que aconteceu com Luís Costa Ribas, da SIC, que nos EUA acabou por trocar o fundo de garrafa pelas lentes de contacto, desatando a piscar a cada centésimo de segundo.

Curiosamente, o discernimento dele piorou: voltou de lá tão antiamericano que ao pé dele Hugo Chávez parece um manteigueiro do Bush. Bem, fora do habitat natural, as gaffes são inevitáveis. Na sua fresquíssima edição de ‘O Mundo em 2009’, a revista ‘The Economist’ carpe: "Mil perdões pelas nossas previsões para 2008…" Mas a argolada mais impagável que vi em 2008 foi a de um enviado da CNN às Olimpíadas de Pequim, que deu a mão à palmatória: "Na notícia de ontem sobre badminton, errei o nome do jogador guatemalteco Kevin Cordon. Peço desculpa. Em minha defesa, quero registar que, na mesma notícia, tinha dito correctamente Prapawadee Jaroenrattanatarrak, Poompat Sakulchananaart e Porntip Buranapraseatsuk. Quando cheguei a Cordon, a minha língua estava exausta."

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