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João Pereira Coutinho

Método na loucura

Os presos de Havana não valem mais do que os presos de Luanda.

João Pereira Coutinho 1 de Abril de 2016 às 00:30
Confesso não ter grande interesse por Angola. Nunca lá fui. Nunca dependi das suas negociatas. Nunca delirei com a ‘lusofonia’: a CPLP é uma anedota desde que a Guiné Equatorial lá meteu a pata. Angola é um país soberano e autoritário, como dezenas de outros em África, que não devia ocupar a retórica, muito menos o paternalismo, do antigo colonizador. Dito isto, é preciso dizer algo mais. Porque o nosso Parlamento tem o hábito megalómano de discutir votos de protesto contra países terceiros. E, se assim é, convém que haja método nesta loucura: o PCP pode suspender a decência quando o assunto é Cuba, a Coreia do Norte – ou Angola. O PSD e o CDS não deviam. Muito menos com a tese da ‘ingerência’ que é usada pelo pessoal do comité.

Se os deputados gostam de brincar à ONU de vez em quando, não há razões para lamentar os presos de Havana e ficar em silêncio com os presos de Luanda.
João Pereira Coutinho opinião
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