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João Pereira Coutinho

Trabalhar para o Nobel

Quando ouvi ‘Bob Dylan’ lamentei a vida dos farsantes.

João Pereira Coutinho 14 de Outubro de 2016 às 00:31
De vez em quando, um amigo escritor comunica-me, em tom conspirativo: ‘Fulaninho de tal anda a trabalhar para o Nobel.’ O ‘fulaninho’ em questão é sempre um escriba de língua portuguesa que tenta publicar prosa ‘humanista’ e ‘universal’, ao gosto da Academia. Por outras palavras: um farsante. Não sei se ele tem razão. Mas, se tiver, haverá pensamento mais deprimente? Corrijo: haverá vida mais deprimente – várias décadas a ‘trabalhar’ para um prémio que depende dos humores de meia dúzia de eruditos?

É por isso que a vitória de Bob Dylan é duplamente brilhante. Primeiro, porque é um dos grandes poetas do nosso tempo. Segundo, porque em nenhum momento imagino o sr. Robert Zimmerman (nome real de Dylan) a ‘trabalhar para o Nobel’ quando escrevia obras-primas como ‘If You See Her Say Hello’.
Quando ouvi o anúncio, brindei a Dylan. E lamentei pela vida perdida dos farsantes.
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