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João Vaz

À espera da surpresa

Temos que esperar para saber que surpresas os portugueses reservam.

João Vaz 27 de Setembro de 2017 às 00:30
Não se sabe onde, nem quem, mas o próximo domingo de eleições Autárquicas não terminará sem que se imponham vencedores e vencidos. O tom nacional da informação política e a indiferença que se nota a nível dos concelhos dificulta, contudo, a previsão do que aí vem.

Sabe-se apenas como a humilhação de Fernando Gomes, no Porto, em 2001, tornou Rui Rio numa nova espécie de D. Sebastião. E como na mesma cidade, a vitória de Rui Moreira, há quatro anos, sobre Luís Filipe Menezes, revelou a dispensabilidade do apoio dos partidos, aprofundada, depois, nas Presidenciais por Marcelo Rebelo de Sousa.

Com a eleição repartida por 308 concelhos parece palpite do Euromilhões adivinhar onde vai o coelho saltar da cartola. A dimensão populacional de muitos deles - mais de um terço tem menos de 10 mil habitantes - desvaloriza, por outro lado, o resultado do voto.

Como já se reduziram para menos de metade os municípios criados por Mouzinho da Silveira, em 1832, apresenta-se necessário e urgente um corte da mesma ordem para tornar o poder local capaz de uma descentralização sustentável. Sem essa reforma, o desejo de descentralizar de António Costa é inexequível. Custa caro demais e serve de menos.

Uma prova deste facto surge evidente na campanha. Os partidos gastam demais com a promoção dos candidatos e chega a ser revoltante como nas vilas com menos população são maiores e mais numerosos os cartazes outdoor. Os reizinhos instalados pelos partidos, da direita à esquerda e vice-versa, adoram o culto da imagem e ver a fotografia nas praças e rotundas por mais que tenham a eleição no bolso.

As circunstâncias não são de molde a graves consequências políticas. Não se admite para António Costa o caminho de Pinto Balsemão em 1982 e de António Guterres em 2001. Temos, no entanto, que esperar pelo voto para saber que surpresas os portugueses reservam a Portugal.
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