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João Vaz

Poder local sem reforma

Os partidos ficam cegos na avidez de conquistar o maior número das 308 câmaras.

João Vaz 2 de Agosto de 2017 às 00:30
O tempo de férias enfrenta este verão uma paisagem de guerra de cartazes eleitorais. Faltam só dois meses para as Autárquicas que se anunciam com o maior número de sempre de listas independentes. Ao descontentamento contra a ordem dos partidos não escapa sequer o PCP.

O grande xeque à ação política dos partidos parlamentares está, contudo, no facto de estas eleições chegarem sem sinal de reforma no Poder Local: Não se fez nada no mapa dos municípios, não se agilizou a constituição e funcionamento dos executivos, manteve-se tudo como dantes, apesar do mundo não parar de mudar.

A modernidade atinge, no máximo, o uso das redes sociais na campanha. O que interessa aos partidos é o número de câmaras municipais e juntas de freguesia conquistadas e não se as autarquias são sustentáveis em termos económicos e de população. Há municípios onde os funcionários públicos das finanças ou da justiça residem em concelhos vizinhos, para ter melhores condições de vida. E sedes de câmara que não sustentam uma agência bancária. Que se lixem.

Ciosos do poder, os partidos preferem protestos irracionais a resolver os problemas da administração do Estado. Não entendem que tragédias como Pedrógão Grande são facilitadas pela fragilidade da administração territorial. E que o fecho do centro de saúde de Castanheira de Pera ao sábado ou a falta de médicos e a fraca intervenção pública na educação, apoio social, cultura e justiça sofrem da dimensão irracional das autarquias.

Em vez de reformar o poder local, os partidos ficam cegos na avidez de conquistar o maior número das 308 câmaras para lá instalar os seus reizinhos e respetivos séquitos nepotistas.

Em França, a assembleia votou na semana passada a proibição dos deputados, ministro e eleitos locais empregarem familiares. Por cá, os partidos mandam às urtigas as reformas necessárias para o Estado servir melhor as populações.
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