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Correio da Manhã

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Joaquim Tapada

Juan José Padilla de novo a ombros pela Porta Grande

Campo Pequeno esgotou para a primeira corrida da temporada

Joaquim Tapada 7 de Abril de 2017 às 18:24

A grande assistência que esgotou a praça de toiros do Campo Pequeno na corrida inaugural, realizada no passado dia 6 de abril, dava a entender que todos esperavam um grande espectáculo. E as esperanças não saíram goradas. Assistiu-se a um evento magnífico quanto a público, quanto aos artistas que vieram para triunfar e, sobretudo, quanto à qualidade dos toiros que proporcionaram uma noite muito boa.

Há qualquer coisa de mágico naquele espaço, pois, mesmo os menos entendidos e não aficionados à Festa, sentiram-se presos pelo ambiente, pela evolução do cavaleiro, pelas pegas dos forcados e pelas magníficas e tão diferentes faenas dos matadores. O Campo Pequeno, esteve de novo em grande na quinta feira. Valeu a pena e este começo de temporada na capital pressagia uma época triunfal, digna da comemoração dos 125 anos da construção da praça e do 10º. ano da sua remodelação e beneficiação que tornam o edifício multiusos num verdadeiro ex-libris da capital portuguesa.

Quanto à atuação do cavaleiro João Moura, um veterano, mas um Mestre que ao longo dos anos tem sido uma importante referência no toureio equestre mundial, pode dizer-se que mostrou toda a sua classe. No que abriu a corrida lidou, o "Peñarubio", de 520 kg, ganadaria Herdeiros M Vinhas, deixou bons compridos e ferragem curta com o seu selo, embora tivesse sofrido um ligeiro percalço que o derrubou da sela que ultrapassou com um magnífico ferro, bem rematado. A pega de Ricardo Castelo, à segunda, foi consumada com decisão. Cavaleiro e forcado deram a volta a arena. Na lide do seu segundo, João Moura cravou dois bons compridos e com a ferragem curta também esteve bem. Porém, ao sofrer um toque na montada, do  toiro "Soguro", de 550 kg, também de Vinhas, o público protestou e não lhe foi dada a possibilidade de rectificar a actuação, por isso, não deu volta a arena, sendo chamado à arena apenas o forcado Rui Godinho, de Vila Franca, único grupo em acção, que consumou a pega ao segundo intento.

Mas as expectativas estavam na atuação dos matadores Juan José Padilla - um toureiro sempre apreciado em Lisboa - e o jovem peruano Andrés Roca Rey, que reaparecia depois de uma paragem a conselho médico, reflexo de algumas colhidas sofridas que o deixaram com problemas a nível da coluna vertebral. Juan Padilla, uma vez mais, trouxe alegria, emoção e fez levantar o público em calorosas ovações. Com o "Vadio", de 498 kg, ganadaria de Varela Crujo, como os outros da lide a pé, Juan José Padilla esteve com o "seu" público e tudo fez para agradar. Desde as largas afaroladas de joelhos, aos pares de bandarilhas e à emocionante faena de muleta e desplantes foi uma actuação eletrizante premiada com duas voltas à arena, uma delas com o representante da ganadaria, sob uma trovoada de aplausos, enquanto o excelente toiro antes de recolher mereceu também uma chamada especial. No quinto da ordem, "Cerejo", de 500 kg, Padilla voltou a desenvolver uma faena muito diversificada através de lances de capote bem desenhados. Bandarilhou com o reconhecido à vontade e voltou a empolgar o público com a muleta. De joelho em terra toureou por derechazos, passes em redondo e passes de peito. Prosseguiu com naturais, passes por alto e molintes. O público estava rendido a Padilla e voltou a premiá-lo com mais duas voltas à arena.

Roca Rey veio para triunfar mas não teve toiros que facilitassem o objetivo. O "Escravo", de 525 kg ainda investiu de forma a que o valoroso peruano mostrasse a sua classe e a sua arte. Sereno com o capote, executou tafalleras muito templadas, tal como verónicas. Os seus bandarilheiros colocaram bem as bandarilhas e Roca Rey quis mostrar a razão porque é uma figura mundial, bordando com a flanela, passes pela direita, naturais, passes cambiados, sendo também ovacionado com os "abanicos". Apesar de tanta classe não aqueceu as bancadas como certamente desejava. No toiro que fechou a corrida, "Barbuquero", de 530 kg, Roca Rey, depois chicuelinas, meias verónicas excelentes, tudo executado de uma maneira suave e templada e preparou-se para a faena de muleta perante um toiro dificil e mal bandarilhado pela sua quadrilha. Passes pela direita, passes por alto, cambiados, naturais, derechazos, molinetes e o toiro "rachou-se", ou seja não desejava peleja. Assim, o grande matador que se nos afigurou pouco confiante fisicamente, terminava a faena. "Muito toureiro, para pouco toiro". Ovacionado, Roca Rey deu uma volta a arena, enquanto via o seu alternante Juan Padilla, dar uma volta a ombros e sair uma vez mais pela Porta Grande como justo triunfador.

Sem reparos, o espectáculo foi dirigido por Manuel Gama, acolitado pelo veterinário Carlos Santos e pelo cornetim José Henriques. No inicio do espectáculo os representantes da Banda entregaram a Juan Padilla a versão original de um "pasodoble" feito para o matador  A grande corrida anunciada para 18 de maio com Pablo Hermoso, rojoneador, e os portugueses João Moura Filho e seu irmão Miguel Moura, forcados dos grupos de Lisboa e de Évora e toiros da ganadaria Charrua, vai com certeza proporcionar nova enchente no Campo Pequeno.

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