Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
2
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

José Diogo Quintela

A calamidade no Estado

Calvão da Silva podia ter falado noutro dia, só que daqui a nada vai para a rua, tem de aproveitar e usar o mau gosto todo num mês.

José Diogo Quintela 7 de Novembro de 2015 às 00:30
O ministro Calvão da Silva aconselhou os albufeirenses a terem seguros. Mas foi generoso e não pediu, pelo conselho, uma liberalidade de 14 milhões de euros. Segundo o parecer que deu em defesa de Ricardo Salgado, é o preço habitual por uma sugestão de amigo. (O calvinismo defende que se enriquece com trabalho duro, o calvãonismo postula que basta aconselhar um amigo milionário).

Mais uma vez, Calvão da Silva disse o contrário do que pretendia. É um ironista involuntário. Vejamos: ao defender Salgado com argumentação burlesca (já agora, um banqueiro pedir a um advogado para atestar da sua idoneidade é como o Violador de Telheiras pedir ao Bibi para abonar sobre a sua castidade), lançou ainda mais dúvidas sobre a seriedade do chefe do BES.

Dia 2, em Albufeira, quis afirmar que as pessoas têm de tomar conta de si e que o Estado não é paternalista, mas com o discurso mais paternalistas que ouvi a um representante do Estado. Ao nível do meu, quando a minha filha caiu da mesa e eu disse "o pai avisou". Vir dizer o que devíamos ter feito depois de um acidente é coisa de pais. Só faltou Calvão da Silva acrescentar que os algarvios têm de comer a sopa de cenoura toda, porque faz os olhos bonitos.

Calvão da Silva podia ter falado noutro dia, só que daqui a nada vai para a rua, tem de aproveitar e usar o mau gosto todo num mês. Foi o que fez ao dizer que o homem que morreu nas cheias "entregou-se a Deus e Deus certamente lhe reserva um lugar adequado".

Conseguiu, numa penada, ofender ateus e crentes. Ateus, porque se irritam sempre que algum ministro menciona Deus, pois Portugal é um país laico – é o equivalente a ser contra alguém referir-se a carne num restaurante vegetariano. Também ofendeu crentes ao falar burocraticamente de Deus como fiel de armazém a receber encomendas que acondiciona na arrecadação.

Desconfio que a chegada de Calvão a ministro é uma liberalidade de Passos Coelho. Passos Coelho que, lembro, não é Deus: o lugar que reservou a Calvão não é o adequado.

Calvão da Silva entrega-se a Deus e à polícia
O Ministro da Administração Interna já anunciou que deseja ser recebido em cerimónia oficial pela PSP e pela GNR. Apesar de tudo, é refrescante, para variar, ter um membro do Governo que procura as forças da lei, e não o contrário.

Leitão balalão, cabeça de cão, orelhas de gato, não tem coração
Se António Costa cede às exigências de um partido com apenas um deputado, o que não cederá face ao BE e ao PCP? Bastou um telefonema do PAN para António Costa boicotar o almoço de Assis, só porque se ia papar leitão.

A superioridade oral dos comunistas
João Oliveira, do PCP, diz que a palavra de um comunista vale um papel assinado. Tem razão. Em 1939, a URSS e Hitler assinaram um pacto de não-agressão. Os nazis traíram os comunistas. Os comunistas foram leais aos nazis até ao fim. Por eles, tinham pactuado eternamente. Com os nazis. Honra lhes seja feita.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)