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José Diogo Quintela

Do centro remate

O remate pode a meio da trajectória decidir que passa a ser centro.

José Diogo Quintela 8 de Julho de 2016 às 01:45
Mais do que o salto no 1º golo, o momento que define o compromisso de Ronaldo com a equipa é a assistência do segundo. Tratou-se de um centro-remate. Fiel ao espírito do tempo, o centro-remate é ambiguidade futebolística.

É um tipo de chute pós-moderno. Nem centro, nem remate, não está espartilhado numa definição. Há fluidez de género no pontapé. Como alguém que decide num dia ser homem, no outro mulher, também um remate pode, a meio da trajectória, decidir que passa a ser um centro. O centro-remate é o brunch do futebol.

Tal como ao brunch falta o valor calórico do pequeno-almoço e a variedade nutricional do almoço, o centro-remate nem é um centro bem feito, nem é um remate em termos. Não vai à baliza, nem procura um companheiro. É manha para alijar responsabilidades, típica do português.

Se o patrão perguntar: ‘Porque não chutaste?’, ele diz: ‘Eu chutei!’ Se em vez disso o patrão disser: ‘Devias ter centrado’, ele também pode contrapor: ‘E centrei!’ Está sempre safo por esta desculpa em forma de gesto técnico.

Que CR7 tenha aceitado diminuir-se com um duplo falhanço, em prol da equipa, é sinal de amadurecimento. Mesmo se foi, como é seu apanágio, um duplo falhanço irrepreensível.
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