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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

José Diogo Quintela

Dom profano e seus dois autores

Fui logo adquirir o livro de Sócrates. A funcionária olhou para mim, espantada: ‘Só um?’.

José Diogo Quintela 29 de Outubro de 2016 às 00:30
Como não podia deixar de ser, na quinta-feira fui logo adquirir o novo livro de José Sócrates. A funcionária olhou para mim, espantada: ‘Só um?’. E eu: ‘Acha mal?’. Diz ela: ‘Não, é que as pessoas costumam comprar logo à dúzia. Aliás, temos estas embalagens já preparadas, se quiser’. E apresentou- -me um six pack, que em vez de cervejas, tinha livros. Segundo percebi, havia também a possibilidade de comprar a granel.

Ainda não tive tempo de lhe dedicar a atenção que merece. Mas posso já dizer que, com esta obra de filosofia, torna-se legítima a comparação entre Sócrates e o homónimo grego. Não pela qualidade das ideias, mas por nenhum deles ter escrito aquilo que lhes é atribuído.

Apesar de ainda não o ter lido na íntegra, sinto-me à vontade para o comentar. A única ocasião em que é aceitável criticar um livro sem o ter lido é quando o autor o apresenta sem o ter escrito.

Numa primeira análise, diria que é um ensaio académico: tem capa austera, bibliografia vasta e possui imensas citações que Sócrates faz de citações que Domingos Farinho faz de autores renomados. Só que é um ensaio académico escrito como um thriller. A liderança carismática é tão elogiada que o leitor está sempre em suspense, à espera que Sócrates diga: ‘Quem é um líder carismático é aqui o maior!’. É como se fosse um policial narrado pelo mordomo. O leitor começa cada capítulo a perguntar-se: ‘Será que é agora que ele se acusa?’.

São elencadas uma série de soberbas características de um líder carismático que, curiosamente, se adaptam na perfeição a Sócrates. Só falta dizer que um bom líder carismático é alguém da Beira Baixa, irascível, que veste fatos italianos e passa férias em Formentera a expensas de amigos.

Sócrates dedica várias páginas a discorrer sobre carisma como graça divina. É óbvio que Sócrates se considera tocado por Deus. Uma espécie de ungido do Senhor. Com uma ressalva: em vez de, como habitual, ser ungido na testa, Sócrates é untado nas mãos.

Já se sabia que Sócrates tinha perfil de líder. Quem o ouviu a pedir dinheiro a um amigo como quem dá ordens a um subalterno, percebe que a sua natureza é mandar nas pessoas. Pelos vistos, aquilo que habitualmente se chama ‘falta de educação’ é, em ciência política, conhecido por ‘carisma’.

Há, porém, na Academia, quem não concorde com esta visão de Sócrates como líder carismático, considerando-o antes um tipo diferente de chefe. Mais precisamente, aquele tipo representado na frase: ‘Ó chefe, posso estacionar na passadeira? Se vier a polícia, avisa-me? Tome lá uma moedinha. Obrigado, chefe!’. Para esta corrente, Sócrates é o tipo de chefe que angaria moeda em troca de favores. Enfim, uma polémica sobre a qual não tenho bases científico-filosóficas para me pronunciar.

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O sotôr da Licenciatura?
É costume dizer-se que as distinções entre esquerda e direita já não fazem sentido. Mais uma vez, a realidade tratou de desmentir essa ideia.

Nuno Crato, enquanto Ministro da Educação, mandou investigar a licenciatura falsa de Miguel Relvas. Tiago Brandão Rodrigues, apesar de saber que o chefe de gabinete de um Secretário de Estado do seu Ministério tinha, não uma, mas duas licenciaturas falsas, protegeu-o e escondeu-o.

O ministro da Direita acaba com licenciaturas, o da Esquerda promove-as. Não há dúvida: a esquerda faz mais pela educação.

Um abraço iletrado para Rui Roque e Nuno Félix
Também frequentei um curso sem o terminar e sei que é chato preencher formulários e ter de dizer que se tem o Secundário, quando há a opção ‘Licenciatura’ mesmo ao lado. Desde as Novas Oportunidades que o 12º ano passou a ser a antiga ‘4ª classe mal tirada’. A mesquinha.

Não vejo é o mal de um socialista só ter 4 cadeiras do curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores. Para operar Magalhães chega e sobra. O que irão Rui Roque e Nuno Félix fazer agora? Acabar o curso? Terão 100 mil euros para alguém lhes redigir a tese?

Os debochados não são todos iguais
Desde que tenho cão, dou por mim a identificar-me com as reivindicações do PAN. Mormente, no que diz respeito à progressiva equiparação de direitos entre humanos e animais.

Por exemplo, quando passeio o cachorro, ele aproxima-se de qualquer rapariga e, imediatamente, desata a cheirar-lhe os pés. Ela agacha-se e ele enfia a cabeça entre os seus seios. Ela ri. E ele aproveita para lhe lamber a boca e o pescoço. Depois, deita-se de barriga para cima e expõe os órgãos sexuais de forma convidativa. Em troca, ela afaga-lha o ventre. No fim, ele não agradece, nem pede o número de telefone. Nada.

Solicito a André Silva, do PAN, que legisle no sentido de eu ter o mesmo direito do meu cão. É que somos todos seres sencientes, mas se eu fizer o que ele faz vou ser senciente para a cadeia.
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