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Correio da Manhã

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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

José Diogo Quintela

O enluvado do BES

José Sócrates é o canivete suíço da alegada corrupção.

José Diogo Quintela 21 de Janeiro de 2017 às 00:30
O leitor conhece a Zaask, a startup portuguesa que é uma espécie de Uber da bricolage? No último mês recorri várias vezes à Zaask e notei uma coincidência curiosa: qualquer que fosse o serviço, da lista de sugestões, o profissional que tinha as melhores avaliações era sempre o mesmo. Para canos entupidos, o Sr. Alcino era o mais conceituado desentupidor. Para forno avariado, o Sr. Alcino estava no topo do ranking de consertadores de fornos. Para pendurar prateleiras, o Sr. Alcino tinha média de 4,97 estrelas em penduramentos. Pude confirmá-lo em todos os trabalhos: o Sr. Alcino é, usando o termo técnico da bricolage, um jeitoso.

Lembrei-me dele quando Ricardo Salgado foi novamente constituído arguido, desta feita na Operação Marquês. Se existir uma Zaask Alegada Corrupção, o Sr. Alcino da especialidade é José Sócrates, o mais competente a deixar-se alegadamente subornar em qualquer tipo de empreitada. É um faz-tudo do alegado favorecimento.

É preciso assinar uns projectos? Sócrates é o técnico alegadamente indicado. Alterar um PDM? Sócrates alegadamente conhece uma forma. Comprar uma operadora de telecomunicações? Sócrates é alegadamente bom. Vender uma operadora de telecomunicações? Sócrates é alegadamente também. Impedir a venda de uma operadora de telecomunicações? Sócrates alegadamente impede. José Sócrates é o canivete suíço da alegada corrupção e as suas avaliações num site destes teriam mais estrelas alegadas que a Via Láctea. ‘Value for money’, Ricardo S. ‘Um bocado arrogante, mas é a melhor alegada cunha que já meti’, Paulo L. ‘O alegado método de pagamento é esquisito, mas os resultados aparecem’, Lena D.

José Sócrates é, sem favores (desta vez), o alegado corrupto por metonímia. O problema desta polivalência é que Sócrates detém o monopólio da alegada corrupção em Portugal. Ao açambarcar os alegados grandes favorecimentos, não permite que a concorrência medre. Onde está o pequeno e médio corrupto? O facilitador de vão de escada? Foi tudo comido por Sócrates, que faz dumping de alegada corrupção. Se, de repente, preciso de untar as mãos a um funcionário duma repartição, para me favorecer num prazo, o mercado não responde com eficiência. E tenho de me contentar com um corrupto de segunda, que não sabe receber luvas como deve ser.

É bem feito para Salgado. Fui cliente do BES durante muitos anos e sempre me irritaram as comissões que cobravam por tudo e por nada. É justo que tenham tido de gastar tanto dinheiro em alegadas comissões a Sócrates.

Pobre Sócrates, que volta à berlinda. Ele que disse uma vez que a sua ideia de felicidade era abrir os jornais e não falarem dele. Deve andar infeliz. Ou, então, lê o ‘DN’, que faz a chamada de capa sobre Salgado ser constituído arguido como corruptor e consegue não referir o nome do alegado corrompido.

Poupa e inconstância
Uma das coisas que me arrelia em Trump é a falta de respeito pelas tradições da democracia americana. Sou um choninhas dos rituais. Abomino quebras de protocolo, o desprezo pelo cerimonial que dá gravitas à instituição. A forma influencia o conteúdo. É o mesmo que me arrelia em Pablo Iglesias, quando falta ao respeito ao Rei e à Coroa e às convenções que orientam a democracia espanhola.

A diferença entre os dois políticos anti-sistema é que um é o menino querido da extrema esquerda. De resto, são dois perigosos demagogos protecionistas de cabelo ridículo.

Pena o congresso dos jornalistas ter sido há uma semana
Comecei a ver a tomada de posse de Trump na SIC Notícias. Uma jornalista falava de uma aplicação do Google que muda todas as fotografias de Trump para fotos de gatinhos.

O pivô diz que vai haver muita gente a clicar nos gatinhos. Ouvem-se risos. Depois, quando Trump chega, um jornalista que tinha estado a falar da cor dos vestidos das filhas de Trump, diz: "O homem está cá com uma tromba!’

Passados uns instantes, acrescenta: "Acabei de ver Mike Pence a não cumprimentar Hillary". Achei estranho. Andei com a imagem para trás e, como é óbvio, vi o cumprimento. De seguida, uma jornalista queixa-–se que Trump acusou todos os jornalistas de serem desonestos. Realmente, não se faz.

Em busca de jornalismo mais equilibrado, mudei para a Fox News.
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