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José Diogo Quintela

O pouco sério contra-ataca

Na semana em que estreia o novo "Guerra das Estrelas", pumba!, José Sócrates dá uma entrevista e rouba o holofote.

José Diogo Quintela 19 de Dezembro de 2015 às 00:30
Chewbacca está chateado, Han Solo, inconsolável. Leia, louca. Vader, varado. Yoda, yodido. Na semana em que estreia o novo "Guerra das Estrelas" e em que estas personagens deviam ser o centro das atenções, pumba!, José Sócrates dá uma entrevista e rouba o holofote. [correcção: alegadamente rouba o holofote]. Impressiona, se pensarmos que o filme custou 185 milhões de euros e o entretém com Sócrates ficou-se por meros 23 milhões.

De um lado, uma mitologia assombrosa, com aventuras incríveis e protagonistas venerados por fanáticos que agem como se a história fosse verdadeira. Do outro lado, a Guerra das Estrelas.

Falta só o merchandising. Para quando um boneco de Bataglia? De Perna? Ou um João Araújo a pilhas que diga "você cheira mal" e "tome mais banho"? Ia fazer as delícias da pequenada. E de pais daquela pequenada que não aprecia higiene.

A história de amizade entre Sócrates e Santos Silva faz lembrar a de Han Solo e de Chewbacca: também comunicam de uma maneira ininteligível que só eles percebem, mas entendem sempre as necessidades do amigo. Onde Chewbacca diz "RARGWAGR", Sócrates diz "manda-me 7 mil fotocópias, há saldos na Armani".

Agora, Sócrates tem toda razão: a sua vida em Paris não é faustosa. Para já, Paris já não é o que era. Há turismo a mais, terrorismo, os empregados são arrogantes, as ostras do La Coupole estão péssimas, fala-se francês, os pombos são atrevidos, as mulheres não se depilam. E, dentro do horror, Sócrates levava uma vida penosa, obrigado a partilhar casa com o filho no 16ème. No 16ème! Um bairro que nem sequer está no top 10, está em 16º!

Enfim, Sócrates não tem a sorte da maioria dos portugueses, que podem escolher fazer os seus mestrados em pós-laboral e na área de residência. Ou, supremo luxo, nem sequer têm de estudar.

Só quem nunca foi forçado a parar de trabalhar para tirar um mestrado na Sorbonne, enquanto educa os filhos num colégio de Paris, é que pode falar em fausto. Toda a gente, portanto.

Como foram pedidas as 78 milhões de fotocópias
Finalmente, percebe-se o que é que sucedeu em 2011, quando Teixeira dos Santos achou que Sócrates não estava a querer pedir ajuda externa. Descobrimos agora que não é verdade. Sócrates queria pedir. Aliás, já tinha pedido várias vezes. Sucede que, como se vê pela forma como solicita empréstimos a Santos Silva, os pedidos parecem ordens. Aliás, se ali há favores, é Sócrates que os faz a Santos Silva, ao permitir que lhe dê dinheiro. A troika não percebeu, Teixeira dos Santos teve de intervir.

Tudo como dantes, abracadabrantes
Não sei se a Porto Editora ainda aceita candidaturas, mas gostaria de propor como Palavra do Ano o adjectivo "abracadabrante", que José Sócrates usou para se referir ao processo judicial. Para quem, como eu, não sabia o que quer dizer, aqui fica a definição. Abracadabrante: Que causa espanto ou estranheza a alguém que, por ter sido 1.º Ministro, teve poder para modificar a situação que agora o espanta. Para os outros, isso é abracadabracadabrante.

TVI sabe menos de bancos que Cavaco
No Domingo, a TVI anuncia o fecho de um banco, na 2ª-feira anuncia a abertura de outro. Enganou-se das duas vezes. Nem o Banif fechou, nem Carlos Santos Silva, apesar das transferências de dinheiro que José Sócrates garante serem empréstimos, é uma entidade bancária.
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