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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

José Diogo Quintela

Silêncio, que se vai manifestar o facho!

Manifestam-se calados, para não serem interrompidos por uma democrática grandolada.

José Diogo Quintela 21 de Outubro de 2017 às 00:30

Pessoas na rua indignadas com segunda leva de mortos em incêndios mal combatidos pelo Estado? Tresanda a fascismo. Estas ‘Manifestações Silenciosas’ topam-se à légua. Já os estou a ver logo à tarde, naquela solidariedade para com os mortos, tão típica dos nazis, a limparem as lágrimas nas fraldas das camisas castanhas.

Quem é que se move em silêncio? Os perigosos ninjas! À traição. Como a PIDE. Tão reaccionários, manifestam-se calados, para não serem interrompidos por uma democrática grandolada.

É que as boas manifestações têm um propósito. Por exemplo, em 2012 houve a ‘Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!’ Isso, sim, é um objectivo legítimo. Desta feita, a não ser que se acredite em zombies, é impossível recuperar quaisquer vidas. Para quê sair à rua? Uma coisa é uma manifestação que declara ‘A Merkel não manda aqui!’. Outra, é uma que questiona ‘O Costa não manda aqui?’ Mero bota-abaixismo.

Morrer gente é chato, bem sei. Mas, e ver um licenciado emigrar? Ao menos o morto (que nem curso superior tem) já não sai de ao pé de nós. O Abrunhosa fez uma cantiga com um emigrante que quer abraçar a mãe. É tocante. Se fosse um morto a querer agarrar a mãe, era aterrador. O que comove mais? ‘Para os braços da minha mãe’ ou o ‘Thriller’?

A questão é: sem ser às famílias, aos amigos, aos vizinhos, às comunidades directamente afectadas e ao país em geral, solidário e chocado com a hipótese de isto acontecer consigo e com os seus, a quem interessam estas manifestações? Apenas à oposição de direita. Lá está: aproveitamento político.

Mas não terão sorte, pois se retirarmos a má gestão de meios, as mudanças na Protecção Civil, a negligência com a meteorologia, a inoperância do SIRESP e o facto de tudo isso poder ter causado a morte de portugueses, não há absolutamente nada a apontar ao Governo. Daí a manifestação ser silenciosa: pudera, não têm nada para dizer!

António Costa disse que há 10 anos fez uma reforma que permitiu diminuir significativamente a área ardida. Ora, quanto menor for a área, mais próximas morrem as pessoas. Ou seja, este é um Governo que não deixa ninguém morrer sozinho. Só por clubismo partidário é que se pode criticá-lo. Os manifestantes estão preocupados com os mortos, 0,001% da população, e esquecem os 0,4% de défice diminuído? 0,001% contra 0,4%? Além de desonestos, não percebem nada de matemática.

(A comunicação de Costa ao país também foi injustamente atacada. Se está calor e arde, refilam; se o PM é frio e tem gelo no coração, refilam. Sejam coerentes com as temperaturas!)

Tudo para apoucar este Governo, que tantos recordes tem batido. Não só Capoulas Santos fez a maior reforma da floresta desde o pinhal de D. Dinis, também Costa assistiu à maior queima de portugueses desde a inquisição de D. João V.

Já Agora
Perplexo Marques Lopes
De todas as reacções à acusação de José Sócrates, a minha predilecta é a de Pedro Marques Lopes. É a mesma de muitos, mas ele explica-a melhor, no DN de dia 15.

Primeiro diz que ‘se os relatos da comunicação social estão certos (…) o que consta na acusação não é exactamente uma novidade’. Depois, acrescenta: ‘Se ficasse provado que o dinheiro não era realmente de Sócrates, eu ficaria quase tão atónito como fiquei com os fortes indícios que surgiram contra ele’.

Ou seja, PML não ficou admirado com o que constou sobre Sócrates, pois não era novidade. Mas ficou atónito com o que constou sobre Sócrates, uma vez que  surgiram novidades.

São manhosos, estes factos sobre Sócrates. Depois de 4 anos a conviverem pacatamente, um dia, pumba!, atacam o atónito comentador à traição. Sonsos.

E mais
A necessidade aguça o engenheiro
Segundo a Ordem dos Engenheiros, Sócrates afinal não é engenheiro. Como português, sinto-me envergonhado. Uma coisa é Portugal ser burlado por alguém com formação superior. É uma atenuante. Outra é ser aldrabado por um vigarista que só tem o 12º ano. Amesquinha o país.

‘O Eng. José Sócrates, ex-Primeiro-Ministro de Portugal, escreveu um livro que foi um sucesso editorial, com mais de 30 mil leitores a pagarem do próprio bolso para o adquirir’. É preciso ter azar: nesta frase, a única informação verdadeira é que Sócrates foi PM de Portugal.

Só para terminar
Ordem para pontapear no chão
Depois deste esclarecimento, tenho de louvar a corajosa atitude da Ordem dos Engenheiros, que veio denunciar o caso assim que soube dele. Por coincidência, calhou ter sido no preciso momento em que se conhece a acusação da Operação Marquês e em que Sócrates está no chão, derrotado. É um daqueles acasos felizes. Percebe-se logo que são engenheiros e dos bons: sabem calcular bem a correlação de forças.

No fundo, devem ter ficado atónitos com a novidade. É a versão institucional do Pedro Marques Lopes.

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