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Leonardo Ralha

Ana Gomes e o 'Charlie'

Nunca vi o abominável homem das neves ou o monstro de Loch Ness. Mas posso testemunhar o meu encontro com outra criatura que garantem não existir: a pessoa para quem os EUA "estavam a pedi-las" aquando do 11 de setembro.

Leonardo Ralha 9 de Janeiro de 2015 às 00:30

Nunca vi o abominável homem das neves ou o monstro de Loch Ness. Mas posso testemunhar o meu encontro com outra criatura que garantem não existir: a pessoa para quem os EUA "estavam a pedi-las" aquando do 11 de setembro.

Era uma mulher, com cerca de 40 anos, amiga de uma prima dos meus amigos, anfitriões naquela noite. Meses antes, a baixa de Manhattan enchera-se de milhares de mortos, pulverizados por entre os escombros. Sou capaz de jurar que mostrou os dentes quando pronunciou o "estavam a pedi-las" que saturou a sala com um desconforto capaz de se colar às paredes.

Nunca mais a vi, mas recordei-me dela na quarta-feira ao ler aquilo que a eurodeputada Ana Gomes escreveu no Twitter, quando pouco ou nada se sabia acerca da chacina de 12 franceses, entre os quais grandes cartoonistas sem medo: "Charlie Hebdo. Horror! Também o resultado das políticas antieuropeias de austeridade: desemprego, xenofobia, injustiça, extremismo, terrorismo."

Aos assassinos de Cabu, Charb, Tignous e Wolinski, há que reconhecer uma qualidade: é improvável que justifiquem a sua intolerante cobardia com a austeridade.

Loch Ness EUA Ana Gomes Charlie Hebdo questões sociais
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