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Leonardo Ralha

Cem anos de omissão

No texto sobre os 100 anos na revolução comunista, Jerónimo de Sousa traça o seu autorretrato.

Leonardo Ralha 10 de Novembro de 2017 às 00:30
Quem viu, ouviu e leu a forma como o PCP comemorou o centenário da Revolução Russa não pode ignorar.
Sobretudo não pode ignorar o texto com que Jerónimo de Sousa assinalou o 7 de novembro de 1917, ocorrido "numa Rússia semifeudal, dominada pelo poder autocrático e repressivo dos czares e da mais alta nobreza", enumerando os "espantosos avanços que se traduziram em descobertas e conquistas pioneiras" na União Soviética.

Sendo natural que o secretário-geral do mais ortodoxo Partido Comunista europeu se orgulhe da introdução de "direitos sociais fundamentais" pelo regime soviético, menos aceitável é que consiga, ao longo de 8500 carateres, omitir a repressão da dissidência, a ausência de eleições livres, os milhões de presos e mortos nos gulags e, ao elogiar o tempo em que Moscovo enfrentou "sozinha durante três anos a besta nazi-fascista", sonegar que num desses anos Estaline acertou a divisão da Polónia com Hitler.

Nos cem anos de omissão, imune ao que diz ser uma "campanha de desinformação, manipulação ou intoxicação", Jerónimo de Sousa traça o seu autorretrato. Cabe a cada comunista decidir se quer ficar na tela.
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