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Leonardo Ralha

Consoantes e jardas

Palavras ficaram graficamente mais feias e distantes da sua pronúncia.

Leonardo Ralha 31 de Dezembro de 2017 às 00:30
Vá lá que ninguém se lembrou de liquidar radicalmente diferenças de medidas de comprimento entre os lados do Atlântico Norte estabelecendo que o metro passaria a corresponder a 91,44 centímetros. Assim acabariam de uma vez os problemas de conversão entre os EUA e a Europa, pois o metro e a jarda mediriam o mesmo.

Infelizmente sucedeu algo idêntico com a língua portuguesa que se escreve em Portugal. Desde que o poder político retirou o Acordo Ortográfico de 1990 da hibernação a que fora relegado, muitas palavras viram-se amputadas de consoantes - também de acentos e hífenes -, ficando graficamente mais feias e distantes da sua pronúncia na ocidental praia lusitana. A bem da pífia uniformização com o Atlântico Sul, onde o Brasil sacrificou um punhado de acentos que continuariam a fazer sentido.

Se o metro fosse decretado igual à jarda intuiríamos a falta de 8,56 centímetros? E lutaríamos para reverter esse erro, tal como se deve continuar a lutar contra o Acordo Ortográfico em vigor? Certamente que sim.

RAP reacionário
‘Contra o corte cego da consoante muda’ é um dos textos de Ricardo Araújo Pereira reunidos no livro ‘Reaccionário com Dois Cês’ (Tinta da China).

Europa Atlântico Sul Norte EUA Portugal Acordo Ortográfico de 1990 Brasil questões sociais
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