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Leonardo Ralha

Democracia autoritária

O que pode ser mais irónico do que um Governo revelar tiques autoritários mesmo quando acredita promover a participação democrática?

Leonardo Ralha 15 de Setembro de 2017 às 00:30
O que pode ser mais irónico do que um Governo revelar tiques autoritários mesmo quando acredita promover a participação democrática?

O anúncio da alteração legislativa para proibir eventos desportivos em dias de votação, em prol do combate à abstenção, coube ao secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo. "Queremos estar todos mobilizados para que haja maior participação dos cidadãos nos momentos eleitorais", disse, prometendo "reduzir ao mínimo fatores perturbadores de distração dessa mesma mobilização".

Regista-se o paternalismo de quem pretende salvar os incautos eleitores das suas fraquezas. Mas então a medida ‘antifutebol’ peca por defeito. Seria também preciso instituir a obrigatoriedade de bandeiras vermelhas nas praias em dias de sol, encerrar superfícies comerciais, ou até tornar o voto obrigatório, sob pena de pagamento de coimas, embora fosse difícil cobrá-las aos milhares de defuntos nos cadernos eleitorais.

Por muito que isto custe à vã filosofia do Governo, a abstenção combate-se sobretudo com verdade e seriedade. Duas coisas que, com ajuda do videoárbitro, os eleitores podem ver nos jogos de futebol.
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