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Leonardo Ralha

Excessos de generosidade

Morrer pela Pátria não é igual a morrer por erros evitáveis.

Leonardo Ralha 9 de Setembro de 2016 às 00:30
Ser colocado na reserva territorial, por excesso de contingente, ao primeiro pedido de adiamento do serviço militar obrigatório, é uma circunstância que torna demasiado fácil, como na canção de Jacques Brel, tecer considerações sobre as Forças Armadas.

No entanto, sem ter sido sequer soldado, lembro- -me de um termo em voga no final dos anos 80, quando esgotava a adolescência e tinha consciência de que iria parar a um quartel, mais tarde ou mais cedo - com a sorte de pertencer a uma geração sem guerra à espera. Dizia-se então que certos militares, nomeadamente comandos, morriam por ‘excesso de generosidade’. Lido de repente o termo era absurdo, e nunca deixava de ser quando explicado como a ‘generosidade’ de quem se excedia nos exercícios, acabando vítima dessa vontade.

Em 2016 há ‘golpes de calor’ que matam ou deixam à beira da morte jovens que faziam o curso de comandos. Sendo claro que as tropas especiais não podem cumprir a sua missão sem que se ponha à prova quem as pretende integrar, é avisado suspender e repensar o que está a ser feito.

Até porque morrer pela Pátria não é igual a morrer por erros evitáveis.
Jacques Brel Forças Armadas política defesa
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