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Leonardo Ralha

Ishiguro na toalha

Descreveria que o sol quando nasce é para aqueles que o reservam.

Leonardo Ralha 14 de Agosto de 2016 às 00:30
Há uma semana Kazuo Ishiguro ajudou-me a guardar uma cadeira de praia da cobiça alheia. Convém, no entanto, referir que o escritor britânico, nascido em Nagasáqui, não se deslocou de propósito ao Algarve. Bastou uma cópia do seu romance ‘Quando Éramos Órfãos’, depositada por cima de uma toalha alaranjada.

Enquanto Portugal se escandalizava com os banhistas que marcam lugares no areal de Armação de Pera, num hotel ali perto ocorria idêntica competição entre britânicos, alemães, espanhóis, franceses e portugueses pelo privilégio de ocupar as cadeiras com melhor exposição solar e vista para o oceano.

Se Ishiguro ali tivesse estado poderia capturar a mentalidade que levou turistas a impossibilitarem outros turistas de se bronzearem em cadeiras que não estavam a utilizar. Depois da complexa vida de mordomos e governantas de aristocratas em ‘Os Despojos do Dia’, descreveria que o sol quando nasce é para aqueles que o reservam.
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