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Correio da Manhã

Colunistas
17 de Abril de 2017 às 00:30
As declarações de Catarina Martins, líder-sem-título de um dos partidos que sustentam o Governo de Portugal, passaram razoavelmente despercebidas devido à época pascal, à luta incendiária em torno do futebol e, sobretudo, à estranha capacidade que todos adquirimos de aceitar como normal aquilo que é aberrante.

Reagindo à largada pelos EUA da ‘mãe de todas as bombas’ sobre um complexo de túneis utilizado pelo Daesh numa zona remota do Afeganistão, perto da porosa fronteira com o Paquistão, a coordenadora do Bloco de Esquerda disse, com entoação teatral, que "aquilo que se exige é uma condenação, sem nenhuma margem de dúvida, de toda a comunidade internacional pelo uso da arma de destruição maciça".

Sendo evidente que Donald Trump bombardeou o Daesh para meter a Coreia do Norte e a Rússia em sentido, aproveitar o ataque a uma organização terrorista que oprime e executa mulheres, homossexuais, ‘infiéis’ (quer não sejam muçulmanos ou sejam muçulmanos ‘de forma errada’), e todos em geral, para dizer que Trump é "uma ameaça aos Direitos Humanos no Mundo" mostra que há quem seja capaz de ser mais daeshista que o Daesh.
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