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Leonardo Ralha

Marcante Caniço

A morte de Nuno Melo, a quem o cancro do fígado não deu hipótese, não foi surpresa para quem viu a fúria com que a doença o atacou.

Leonardo Ralha 10 de Junho de 2015 às 00:30
A morte de Nuno Melo, a quem o cancro do fígado não deu hipótese, não foi surpresa para quem viu a fúria com que a doença o atacou, restando a ténue esperança do transplante. Perdeu-se um bom ator, com apenas 55 anos, senhor de um talento que resistia ao excesso – ou que dele se alimentava.

Olhando para mais de 30 anos de carreira, saltam à vista as muitas comédias que Nuno fez, mostrando ser capaz de brincar com a sua imagem de homem perigoso, de quem tudo era expectável.

Tamanha intensidade ficou patente numa personagem marcante: o contrabandista Caniço, secundário com rasgo de protagonista em ‘Chuva na Areia’, a telenovela que a RTP estreou no já distante 1985.

Da adaptação do livro de Sttau Monteiro – criticada pelo ritmo lento dos episódios e pelo recurso ao calão –, que mostrava o impacto dos anos 60 numa vila costeira, onde ainda existia PIDE mas já havia estrangeiros à procura de sexo, ficou a brutal castração do Caniço, envolvido com um dos dois alemães que queriam modernizar a fictícia Vila Nova da Galé.

Vítima colateral do progresso, o Caniço garante que Nuno Melo não será apagado. Por muita chuva que caia na areia.
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