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Leonardo Ralha

Tomara que chova

Raras vezes houve um exercício do mandato de representante eleito do povo tão intenso quanto a votação do impeachment de Dilma Rousseff.

Leonardo Ralha 21 de Outubro de 2016 às 00:30
Raras vezes houve um exercício do mandato de representante eleito do povo tão intenso quanto a votação do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

No Brasil, tal como em Portugal, não faltou quem zombasse por haver dedicatórias do voto a Deus, aos filhos e até a um torturador, tal como um apoiante de Dilma a apelidou de "presidenta inocenta". Mas em cada voto se viu a emoção de participar naquele momento. E alguns anunciaram que votavam pelo afastamento de Dilma, tal como de seguida aprovariam a perda de mandato de Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados, próximo de Michel Temer.

Cumpriram. Dilma foi afastada pelo Senado, Cunha perdeu o mandato e foi agora detido por suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção investigados na operação Lava Jato.

Compare-se a colaboração entre os políticos brasileiros e a justiça com a proteção que os partidos portugueses prestam aos seus quando são investigados. Fica claro qual é o país em que o povo deveria cantar "tomara que chova três dias sem parar".

Embora fosse preciso três meses ou três anos. De chuva a jato, para limpar tanta sujeira.

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