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Leonor Pinhão

Fia-te na Virgem e não corras!

Poderão os céticos questionar se o desejo de jogar com equipas médias será boa ideia

Leonor Pinhão 25 de Junho de 2016 às 00:30
Foi tudo menos empolgante a participação portuguesa nesta arrancada do Europeu mas, garantida a qualificação para os oitavos de final, ninguém no seu perfeito juízo poderá acusar Fernando Santos de não saber o que anda a fazer em França. Nunca na história das participações portuguesas em fases finais se apresentou em campo uma equipa nacional tão coesa e determinada em garantir o objetivo proposto, por sinal bastante singular, o 3º lugar na ‘poule’ inicial, que nos permite um acasalamento com as consideradas seleções "mais fáceis" nas eliminatórias que nos levará, inevitavelmente, à final em Paris.
Foi isto mesmo que Fernando Santos anunciou, por outras palavras, nas vésperas do jogo com a Hungria, quando disse à imprensa que só conta regressar a Portugal no dia 11 de julho e, mais importante ainda, que conta ser recebido "em festa". Cá o esperaremos todos felizes para lhe dar razão se as coisas continuarem a correr de feição tal como sucedeu nos jogos com islandeses, austríacos e húngaros, em que ganhar estava proibido porque o que interessava era ficar no 3º lugar para evitar os tubarões. Este, aliás, é o único ponto de vista formal que nos permite olhar para o que aí vem – e para começar vem já aí a Croácia – com determinação e inabalável otimismo.
Portugal só não conseguiu ganhar um jogo na fase de grupos porque fez de propósito por os empatar. Recordam-se, certamente, dos festejos com que foi recebido o sorteio que nos juntou à Islândia, à Áustria e à Hungria, as três peras doces iniciais no caminho até à consagração. Não tendo levado de vencida nenhum destes adversários "perfeitamente ao nosso alcance" – como se diz na gíria –, poderão os céticos questionar, mas em surdina, se este desejo de continuar a jogar com equipas de médio calibre será, na realidade, uma boa ideia, visto que os resultados obtidos não foram, justamente, grande coisa.
Esquecem-se, porém, de que o nosso selecionador, sendo engenheiro licenciado, desenvolveu uma inaudita engenharia de qualificação que adjudicou com grande pragmatismo esta primeira parte da obra em curso. E, assim, nos safámos de ter de jogar com a Inglaterra (a quem normalmente ganhamos) para termos pela frente os pobres croatas que já são favas contadas e o jogo ainda nem começou. À gritante lentidão de processos no meio-campo português que nos foi dada a observar nos primeiros três jogos – Fia-te na Virgem e não corras! –, sucede-se agora a cavalgada nacional rumo a Paris, visto que os adversários estão à mão de semear. É este o atual estado de espírito da seleção e do país da seleção. Isto é perigoso.

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OBenfica divulgou o plano de trabalhos e de jogos para a pré-temporada. Neste verão, não haverá torneios entre os Estados Unidos e o México, como sucedeu no ano passado o que, para muita gente, explicou o deficiente arranque da temporada com a entrega da Supertaça ao Sporting e um esbanjar de pontos nas primeiras jornadas da Liga. Nunca se saberá, no entanto, se foi a dispensa de Jorge Jesus ou se foi, realmente, o problema dos fusos horários que perturbou os primeiros tempos de Rui Vitória ao comando do Benfica. Para tirar a questão a limpo, o ideal seria que o Benfica permitisse a Raúl Jiménez alinhar pelo México nos Jogos Olímpicos. Jiménez já pediu publicamente autorização ao Benfica para viajar para o Rio de Janeiro. O pedido devia ser aceite como experiência. Se Jiménez for ao Brasil e, depois, continuar a marcar golos decisivos pelo Benfica nos minutos finais dos jogos da nossa Liga é porque o problema dos fusos horários é, na verdade, uma questão de pormenor.

Sobe e Desce
Sobe
Hungria - Vencedores do grupo
A surpreendente Hungria classificou-se em 1.º lugar no grupo de Portugal e festejou exuberantemente a proeza. Ficar em primeiro tem muito que se lhe diga.

Islândia - A alegria dos segundos
Mais surpreendente ainda o segundo lugar da estreante Islândia, que o festejou como se fosse o primeiro lugar, coisa raríssima de se ver no mundo da bola.

Nani - O mais produtivo
Marcou um golo à Islândia e voltou a marcar um golo à Hungria. É, neste momento, o nosso goleador em França. E nem sequer estava apontado à titularidade.

Pérola
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