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Leonor Pinhão

Menos pipocas Míster!

Jogadores do Benfica quiseram mostrar a toda gente, sobretudo a Jesus, como gostam de Vitória.

Leonor Pinhão 21 de Maio de 2016 às 01:45
Se o Benfica quiser voltar a ser campeão em 2016/2017 tem de começar a pensar na resolução de um problema de peso que, na noite vermelha de domingo passado, atrapalhou – e de que maneira – os festejos do título tão brilhantemente conquistado. Trata-se do problema do treinador. Não que o Benfica precise de mudar de treinador. De modo algum.

Rui Vitória foi um valente o ano inteiro e ganhando o ‘tri’ não só garantiu os créditos de estima que são o aconchego de qualquer treinador como também conferiu ao presidente do Benfica um estatuto de "infalibilidade" que Luís Filipe Vieira, que nem nasceu para Papa, poderá usar e abusar pelos próximos tempos. Um presidente que prolonga o contrato com um treinador depois de perder dois campeonatos de seguida e é campeão no ano da renovação é digno de elogio.

Mas um presidente – o mesmo, imagine-se… – que depois de ganhar dois títulos com um treinador lhe abre olimpicamente as portas de saída, contrata outro treinador e é logo campeão, não só é digno de elogio como é merecedor de todos os espantos. Foi isto que Rui Vitória arranjou ao ganhar o campeonato nacional no seu primeiro ano no comando do Benfica.

Luís Filipe Vieira, ao cabo de 15 anos na presidência do clube, ganha o seu quinto campeonato e ganha merecidamente uma aura de bom senso e sagacidade que muito deve contrariar os seus congéneres rivais. O do Porto porque parece ter perdido a antiga aura, o do Sporting porque nem a consegue vislumbrar.

O problema que atrapalhou as celebrações do Benfica não foi, portanto, Rui Vitória propriamente dito. Mas quem seguiu com atenção a festa dos jogadores no Marquês terá dado conta da dificuldade que foi para meia dúzia de latagões campeões atirar com o seu treinador ao ar como é da tradição.

Os jogadores do Benfica bem quiseram mostrar a toda a gente – e sobretudo a Jorge Jesus - como gostam do seu treinador. No entanto, foi-lhes muito difícil elevar Rui Vitória ao ar mais do que duas vezes. Pensaram, com certeza, que tendo a final da Taça da Liga para disputar dali a poucos dias mais valeria não insistirem na ideia não fosse algum deles lesionar-se.

Conclusão: menos pipocas, míster! Não que seja preciso fazer descer o amigo das pipocas do 77º lugar na escala de pessoas e bens que ocupam os seus pensamentos. Nada disso. O homem das pipocas do treinador do Benfica passou a ser o homem das pipocas de muitos milhões de benfiquistas. Trata-se apenas de cortar nas pipocas de modo a facilitar o trabalho a quem o quiser atirar ao ar dando-se o caso de o Benfica voltar a ser campeão. Carrega, Rui Vitória!
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