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Leonor Pinhão

Tem havido progresso

Acontece assim por todo o lado, mas quando acontece no Benfica é sempre especial.

Leonor Pinhão 7 de Outubro de 2017 às 00:30
O vice-presidente da mesa da Assembleia Geral do Benfica passou um mau bocado na última reunião magna dos sócios do clube da Luz. O acontecimento, que se previa corriqueiro antes das derrotas com o CSKA, o Boavista e o Basileia e antes deste último empate com o Marítimo, ficará para a história como a assembleia das cadeiras pelo ar tendo em conta que, de facto, houve mesmo cadeiras voando como exibição prática - um tanto excessiva, é verdade - de um certo descontentamento de alguns associados pela carreira da equipa que se tem excedido em maus resultados fazendo com que a demonstração e a aprovação das boas contas da SAD fossem completamente submersas pela onda da insatisfação popular.

Acontece assim por todo o lado, mas quando acontece no Benfica é sempre especial, porque o Benfica é o maior clube português. Duque Vieira, é assim que se chama o vice-presidente da mesa da AG do Benfica, veio a público dias depois da dita assembleia para deitar água na fervura com palavras de bom senso e, no seu bondoso esforço, saiu-se com uma frase tão bonita quanto especialmente verdadeira: "Temos uma claque maravilhosa!".

Tal como em qualquer hipermercado, ou em qualquer grande superfície do género, logo surge junto à caixa 4  – e, por regra, fardado e ofegante – o diligente empregado que respondeu correndo ao apelo do altifalante que convocava com urgência "o funcionário da padaria à caixa 4", também o diretor de comunicação do Sporting correu para o seu discreto posto de trabalho mal ouviu o superior chamamento vindo do outro lado da 2ª Circular. Tudo isto porque, ao contrário do que seria de esperar, não é o Sporting que é tematicamente o seu ganha-pão. Tematicamente, o seu ganha-pão é o Benfica.

Considerou, portanto, o funcionário da padaria em sentido figurado que, em sentido literal, estava o já citado dirigente do Benfica a confessar que o Benfica tinha uma claque ilegal. E disse: "Afinal têm claques ou não?". Têm, pois. Embora o significado da palavra ‘claque’ já não remeta para o teatro do século XIX quando se contratavam pessoas para bater palmas ou para não bater palmas – consoante os interesses do pagador – ainda vai remetendo a mesma palavra ‘claque’ para os aficionados amadores de espetáculos desportivos que até pagam o que for preciso para bater palmas ou não bater palmas aos seus clubes de futebol prediletos.

A diferença moderna está em pagar ou não pagar, e nem sempre foi assim. Há dois mil anos, em Roma, o imperador Nero não abria a boca para cantar se não tivesse diante de si uma plateia de quinhentos soldados das suas legiões e os coitados estavam lá por obrigação. Neste capítulo tem havido progresso.


Uma falha na realização da SPORT TV
Coroando com a sua respeitabilidade a cerimónia em curso   
O Sporting-FC Porto foi um jogo intenso e de qualidade. O clássico de Alvalade teve transmissão a cargo da SPORT TV e a realização televisiva, como vem sendo regra, esteve ao nível das mais altas expectativas que sempre rodeiam estes transes do futebol.

Foi, necessariamente, uma câmara indiscreta da SPORT TV que, decorrendo o intervalo do jogo, conseguiu descobrir lá pelo relvado aquele momento especial em que Adrien recebia os aplausos de gratidão das bancadas tendo unicamente ao seu lado a mais alta figura da hierarquia da casa disponível para a ocasião, o roupeiro Paulinho.

Já no minuto de silêncio em memória do árbitro José Pratas falhou rotundamente a realização da SPORT TV ao não nos mostrar, a nós, os seus assinantes, a imagem de Estado que se impunha: os presidentes do Sporting e do FC Porto lado a lado coroando com a sua respeitabilidade a cerimónia em curso.

Isto porque pedir um grande plano de Pinto da Costa nessa ocasião, enfim, já era pedir demais.
Leonor Pinhão Opinião
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