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Luciano Amaral

A conta da banca

Espanta a incompetência da troika: três anos cá e não viu a bomba do BES nem a do BANIF.

Luciano Amaral 21 de Dezembro de 2015 às 01:19
Não há dia em que não apareça mais uma desgraça bancária portuguesa. Agora, foi o BANIF. O que não se percebe, neste caso, é a pressa do novo Governo em desfazer-se dos 60% de capital do Estado.

Qual o problema duma resolução bancária como a do Banco Espírito Santo (BES) ou esperar que isso se torne obrigatório a partir de Janeiro? É porque os outros bancos não têm dinheiro para a pagar? Mas então a consequência é óbvia, em qualquer caso: vamos ser nós todos, contribuintes, a pagar mais um falhanço bancário.

Pagaríamos na resolução, se ela viesse a acontecer, emprestando ao Fundo de Resolução, como foi feito com o BES, ou pagamos agora com a venda atamancada por muito menos do que o Estado colocou no BANIF.

O próprio primeiro-ministro já o confirmou, quando disse que os depósitos acima de 100 mil euros estão garantidos, mas que o mesmo não pode ser dito a respeito dos contribuintes. Mas que escolha é esta? Porque é que é preferível proteger depositantes com mais de 100 mil euros e não os contribuintes? De resto, à medida que os rumores, as notícias e as afirmações deste género se multiplicam, mais barato fica o banco e mais cresce a conta do contribuinte. Pela parte que me toca, estou agradecidíssimo ao Governo.

Mas mais um caso mostra que a banca portuguesa está a pedir uma abordagem sistemática. Não se pode andar a anunciar ciclicamente outro banco nas lonas que o Estado tem de salvar. Um dia destes, à conta dos vários buracos bancários que se tornam buracos públicos, temos uma nova intervenção externa às costas.

Por falar em intervenção, espanta a incompetência da troika: três anos cá a espiolhar contas de bancos e não viu a bomba de neutrões do BES, nem a do BANIF e sabe-se lá que mais.

O que talvez valesse a pena era fazer uma avaliação geral do sector, pensar numa reestruturação e de que forma, previsivelmente, tudo há-de pesar nas contas públicas. Ou seja, mais vale assumir que há um problema bancário estrutural que terá custos para o contribuinte do que estes bochechos de luxo com que vamos sendo surpreendidos: o Novo Banco já nos custará uma fortuna a todos e o mesmo se passará com o BANIF. E o que mais estiver no forno também. Se o fizermos de forma controlada, talvez custe um pouco menos.
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