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Luciano Amaral

Assassinos de Charlie Hebdo

O jornal nasceu para substituir outro, o ‘Hara-Kiri’, proibido pela censura da democrática França.

Luciano Amaral 9 de Janeiro de 2015 às 00:30

O‘Charlie Hebdo’ é um jornal anarca, feito sobretudo de cartoons, nascido do mundo revolucionário dos anos 60.

Fez fama, de 1970 em diante (logo depois do Maio de 68), a denunciar o sistema ocidental, em nome da esquerda e da revolução.

Agora, tornou-se um símbolo desse sistema. É que quem o golpeou mortalmente desta forma não foi o sistema, mas pessoas que (tal como o ‘Charlie’ de outrora) o combatem. Mas isto tem uma explicação: o ‘Charlie’ também ajudou a tornar o nosso sistema mais liberal.

O jornal nasceu para substituir outro, o ‘Hara-Kiri’, proibido pela censura da democrática França por gozar com a morte do general De Gaulle. Já antes, o ‘Hara-Kiri’ tinha sido proibido várias vezes. De censura em censura e de proibição em proibição, o ‘Hara-Kiri’ e o ‘Charlie Hebdo’ sobreviveram. E ajudaram a criar o mundo ocidental de hoje, em que quase não há limites à liberdade de expressão.

O ‘sistema’ hoje também é o ‘sistema Charlie’. O mesmo ‘sistema’ das torres gémeas, aliás. Há quem ainda não o tenha percebido.

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