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Luciano Amaral

Dá-lhe agora!

Se Costa perder as eleições, demite-se de secretário-geral; nesse caso, o PS fica em cacos.

Luciano Amaral 14 de Setembro de 2015 às 00:30
Depois de uma longa sucessão de momentos desastrados, as coisas começaram finalmente a correr bem para António Costa. Dois acontecimentos da semana passada marcaram a aparente inversão de tendência: a declaração explícita de apoio de José Sócrates e a ideia generalizada de vitória sobre Pedro Passos Coelho no debate de quarta-feira. Mas isto tem muito que se lhe diga.

Comecemos pelo debate. O ‘comentarismo’ foi quase unânime em atribuir a vitória a Costa. Parece que ganhar um debate é equivalente a plantar-se numa barraquinha de feira a atirar bolas em sucessão a uma pirâmide de latas empilhadas.

Eis como eu vi o debate: uma conversa sem interesse nem consistência de parte a parte, tendo como único ponto positivo o facto de, ao menos, Passos Coelho não prometer nada. Já Costa, para continuar com a metáfora, parecia um megafone de feira, oferecendo mundos e fundos a este e aqueloutro. O comentarismo gostou, mas talvez o eleitorado tenha percebido outra coisa: que, por causa de uma certa sobriedade, Coelho é mais ‘primeiro-ministrável’ do que Costa. Enfim, logo se verá.

Já Sócrates tratou de oferecer um bombom envenenado a Costa. A começar na forma: ‘há um tempo para tudo’. Como muito bem notou o habilidoso comentador Marcelo Rebelo de Sousa, a campanha do PS ficou nas mãos de Sócrates a partir do momento em que passou de prisioneiro 44, em Évora, para prisioneiro 33, na Abade Faria. Ora, Sócrates foi magnânimo: colocou-se ‘ao lado de Costa, pela vitória eleitoral’. E até gritou ‘dá-lhe agora!’. Tivesse ficado calado, por exemplo, e o gelo cairia sobre o PS. Só que assim fez de Costa e do PS seus reféns.

Vejamos: se Costa perder as eleições, demite-se de secretário-geral (ninguém passa de homem providencial a fracasso ambulante sem custos); nesse caso, o PS fica feito em cacos, apenas com uma grande causa capaz de o unir: a ‘perseguição’ a Sócrates.

Se Costa ganhar, Sócrates quererá ser ressarcido destes meses de humilhação em que Costa o ignorou e ele ainda teve de o apoiar. Sócrates e os seus amigos não vão largar Costa até ele resolver o caso por meios políticos e não judiciais. Veja-se o regresso do corrupio, agora na Abade Faria. Em qualquer dos casos, Costa e o PS que se preparem para o que aí vem.
opinião Luciano Amaral
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