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Luciano Amaral

Euros e Tanatos

O problema é que nenhum dos ‘programas de ajustamento’ resultou, nem sequer na Irlanda.

Luciano Amaral 23 de Fevereiro de 2015 às 00:30

(UE). Aquilo que o Syriza ou a UE podem fazer é, agora, apenas do domínio do mal menor. A economia, a sociedade e o sistema político gregos foram arrasados por um ‘programa de ajustamento’ catastrófico – o Syriza nunca teria ganho as eleições se o programa tivesse sido bem-sucedido.

À Grécia restam apenas três soluções: ou segue a austeridade como até agora, ou consegue uma austeridade mais moderada (como parece ter acontecido no acordo de sexta-feira) ou opta pelo incumprimento da dívida e a saída do euro. Todas más. Mesmo admitindo que a saída do euro possa ter implicações positivas a médio e longo prazo, no imediato traria dificuldades incríveis.

Quanto à UE, muita gente critica a sua ‘inflexibilidade’. Mas a UE está prisioneira de si mesma. Prisioneira daquilo que é, em primeiro lugar: uma associação de países que têm de encontrar um mínimo denominador comum, sendo que o mais fácil é encontrá-lo onde está o dinheiro, neste caso nos países credores.

Prisioneira também daquilo que já fez nesta crise: se agora revertesse tudo o que de desastroso impôs à Grécia, desencadearia um dominó revertendo tudo o que de desastroso impôs a Portugal e à Irlanda.

Porque o problema é que nenhum dos ‘programas de ajustamento’ resultou, nem sequer na Irlanda. A Irlanda teve este ano um crescimento económico de 4% precisamente porque já saiu do programa. Mas a sua dívida pública, que era de 64% do PIB antes do dito, duplicou para 125% em 2014. O problema da Irlanda nunca foi o desequilíbrio externo, já que é uma das máquinas exportadoras do mundo. Por isso, foi fácil regressar ao crescimento uma vez saída a troika.

Mas o desequilíbrio externo é o grande problema de Portugal, da Espanha e da Grécia. E aí nada ficou resolvido. No caso da Espanha, a quem a UE não teve sequer a coragem de impor um programa de austeridade (porque é um país muito grande), o desequilíbrio continua alegremente.

O tempo não é para celebrar revoluções imaginárias no Pireu ou arregimentar forças ocidentais contra um não menos imaginário soviete de Salónica. O tempo é para pensar em soluções práticas que limitem o desastre em que já estamos mergulhados.

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