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Luciano Amaral

No país das maravilhas

Basta ter a esquerda no Governo e o cavaco fora da Presidência para a crise ter acabado.

Luciano Amaral 14 de Março de 2016 às 00:30
O primeiro-ministro garantiu que não haverá "medidas adicionais" no Orçamento de 2016 e não mentiu. Não mentiu porque as medidas que o Governo vai ter de tomar não são adicionais. E não são adicionais porque o Governo acordou desde o início com a Comissão Europeia (CE) aplicá-las. Um valor de 700 milhões de euros, para além dos mil e cem milhões já apresentados. Tudo somado, começamos a chegar a níveis de austeridade já verdadeiramente gasparianos. E ainda dizem que a CE não é amiga: deixou o Governo apresentar a austeridade em prestações e assim garantiu a sobrevivência da maioria de esquerda. É que a famosa "geringonça" não aguentaria o anúncio destes números à cabeça e de uma vez. Espantoso por estes dias é como o PCP e o BE, verdadeiras motorizadas de escape aberto do protesto político, se mantêm agora tão sossegados. Afinal, parece que a austeridade, desde que feita pela esquerda, é muito boa.

E deve mesmo estar tudo bem porque, mais ou menos na mesma altura em que estas coisas se ficavam a saber, o novo Presidente da República decidiu montar uma valente patuscada, a pretexto da sua chegada ao cargo, que se arrastou por três dias e pesou 14 milhões de euros no Orçamento do Estado.

Deu para tudo: sessões infinitas de ósculos repolhudos, Anselmo Ralph, crianças deficientes, um sarau juntando budistas, muçulmanos, católicos, protestantes, xintoístas, sem contar com o "Rap dos afetos" e até José Cid. Toda a gente achou tudo lindo, incluindo (lá está) os intelectuais de esquerda, normalmente prontos a afundar o poderoso sarrafo em tudo o que é Governo ou Presidente.

E pronto, basta ter a esquerda no Governo e o Cavaco fora da Presidência para a crise ter acabado e o sol voltar a raiar. Agora sabe bem pagar impostos. Agora sabe bem sermos pobres. Agora sabe bem ficarmos ainda mais pobres. Como é bom viver em Portugal!
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