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Luciano Amaral

O PS está diferente?

Ao fim de meses de frases vácuas e de acenos paternalistas à esquerda, à direita e ao centro, vem este louvor involuntário ao Governo PSD-CDS.

Luciano Amaral 2 de Março de 2015 às 00:30

Era de prever que a estratégia gelatinosa de António Costa (a extrema-esquerda? Sim. O CDS? Também. O PSD? Porque não? Todos juntos? Ainda melhor!) acabasse numa trapalhada risível. Toda a gente conhece a história: num encontro com a comunidade chinesa em Portugal, o secretário-geral do PS agradeceu que ela tivesse ajudado o país a estar hoje "numa situação bem diferente" da que estava há quatro anos.

Ao fim de meses de frases vácuas e de acenos paternalistas à esquerda, à direita e ao centro, vem este louvor involuntário ao Governo PSD-CDS. Nem de propósito, na mesma altura em que isto acontece, sai uma sondagem que mostra o PS cada vez com maior dificuldade em afirmar-se e o PSD e o CDS a recuperar. De repente, a possibilidade de o Governo renovar o mandato não parece uma loucura.

Não era isto que devia acontecer com um Governo que sujeitou o país à mais brutal austeridade de sempre. Era aliás essa a acusação que António Costa fazia a António José Seguro e por isso concorreu contra ele. Mário Soares até disse na altura das Europeias que o PS tinha obrigação de ter dado uma "cabazada" e que isso só não tinha acontecido por causa de Seguro. Perante isto e o comportamento de cata-vento de António Costa, não admira que os ditos "seguristas", como Álvaro Beleza, tenham agora reaparecido: "Afinal foi para isto que nos fomos embora?"

Os "seguristas" criticam pela direita, nomeadamente o vago namoro de Costa ao Syriza. Mas como Costa namora com todos, também teve direito a críticas pela esquerda, agora por Alfredo Barroso (o militante nº 15), que achou a conversa de Costa com os chineses "vergonhosa" e, por isso, decidiu sair do partido e votar Bloco de Esquerda nas eleições.

António Costa confunde "flexibilidade táctica" e "pragmatismo" com vazio político. Para ser "flexível" e "pragmático", é necessário ter uma ou duas grandes ideias, em nome das quais depois se é elástico.

Veja-se Mário Soares. De facto, teve consigo toda a gente em ocasiões diferentes: o PSD, o CDS e até o PCP e a extrema-direita. Mas fê-lo em nome de duas ou três ideias: liberdade, democracia, Europa.

Quais as ideias de Costa? Para além das ociosidades da ‘Agenda para a Década’, nenhuma. Não admira o que lhe está a acontecer. 

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